
Pegar a estrada de Buenos Aires até Bariloche é uma das viagens de carro mais legais que dá pra fazer na Argentina. São cerca de 1.580 km, o que equivale a umas 18 a 20 horas de direção efetiva — pra dimensionar pra galera brasileira, é quase como sair de São Paulo e ir até Fortaleza. Ou seja: não é uma viagem pra fazer correndo num dia só.
A gente fez esse trecho e o que mais surpreende é a mudança de cenário: você sai das retas intermináveis da Pampa, atravessa a aridez patagônica e, do nada, começa a aparecer a região dos lagos e montanhas chegando em Bariloche. É de tirar a paciência no meio do caminho e te recompensar no final.
Neste guia a gente reuniu tudo o que precisa saber pra encarar a estrada com tranquilidade: as melhores rotas, quanto tempo leva, quanto custa, onde parar pra dormir, cuidados no inverno e os erros mais comuns que turista brasileiro comete por lá.
Quanto tempo leva e como funciona a viagem
A distância por estrada fica em torno de 1.570 a 1.600 km, dependendo da rota escolhida. O tempo de direção contínua é de 17 a 20 horas — mas ninguém faz isso de uma vez. O ideal é dividir em 2 dias de viagem, com um pernoite por volta dos 900 a 1.000 km.
O perfil da viagem é bem dividido: no primeiro dia você enfrenta longos trechos planos pela Pampa, com muita reta, caminhão e radar. No segundo dia, entra o trecho patagônico, com mais retas no começo e a serra final lindíssima chegando na região de lagos.

As principais rotas de Buenos Aires para Bariloche
Existem basicamente duas rotas principais usadas por quem sai de Buenos Aires de carro. As duas dão certo, mas têm perfis diferentes.
Rota via RN5 / La Pampa / Neuquén (a mais usada)
É a rota mais direta e geralmente considerada a melhor em tempo e movimento. Você sai de Buenos Aires pelo Acesso Oeste / Autopista 25 de Mayo e pega a RN5 rumo a Santa Rosa (La Pampa), passando por Chivilcoy, 9 de Julio, Pehuajó e Trenque Lauquen.
De La Pampa, o caminho segue por uma combinação de RN152, RP20, RN143 e RN151 até Neuquén. De lá, você pega a RN22 e depois a RN237 em direção a Bariloche, fechando com a RN40.
A vantagem é ser mais reta, mais rápida e com boa estrutura nas cidades intermediárias. A desvantagem são os trechos monótonos, o movimento intenso de caminhões em partes da RN5 e RN151, e os vários radares e controles de velocidade.
Rota via RN3 / Bahía Blanca / RN22 (pela costa)
Essa é a alternativa pra quem quer variar o caminho ou combinar com destinos de praia no litoral argentino. Você segue pela RN3 passando por Azul, Tres Arroyos e Bahía Blanca; de lá conecta com a RN22 rumo a Neuquén e, por fim, a RN237 até Bariloche.
É um pouco mais longa (uns 100 km a mais, dependendo da combinação), mas interessante se você quiser incluir Bahía Blanca ou balneários como Las Grutas. Mesma lógica de 2 dias, com pernoite em Bahía Blanca ou Viedma.
Pra encarar qualquer uma dessas rotas, o segredo está em pegar o carro certo pelo melhor preço. A gente sempre usa esse comparador de carros, que compara o valor em todas as principais locadoras de uma vez e costuma achar tarifas bem mais baratas do que indo direto no site de cada uma.
A grande vantagem é que o pagamento é em reais, então você não paga IOF e ainda parcela em até 12x. O atendimento é 24h em português, já tem sede no Brasil e nota excelente no ReclameAqui. A gente aluga sempre por lá — usa o cupom GRUPODICAS pra garantir desconto e acessar as promoções já aplicadas na tarifa.
E pra uma viagem longa e por estradas patagônicas desse jeito, a gente sempre pega a proteção RentalCover: ela cobre pneus, vidros, perda de chaves, assistência na estrada e motoristas adicionais, itens que costumam ficar de fora do seguro básico das locadoras. Em estrada cheia de pedra e cascalho, isso vale muito a pena.
Prefira sempre as grandes locadoras, como Alamo, Avis, Europcar, Sixt, Thrifty, Dollar e Budget, pra evitar dor de cabeça. Existe também esse outro comparador, que é ótimo, mas o pagamento é em dólar ou na moeda do destino — então tem que calcular o IOF e não dá pra parcelar. Como ele também acha bons preços, vale pesquisar nos dois.
Se você ainda está organizando o aluguel, dá uma olhada também na nossa matéria de aluguel de carro em Buenos Aires, com mais dicas pra fechar pelo menor preço.
Condições de estrada e trechos que pedem atenção
De forma geral o caminho é fácil de seguir e bem usado, com várias estradas em boas condições e paisagens lindas. Mas tem alguns pontos que merecem cuidado.
- Saída de Buenos Aires: a Autopista 25 de Mayo e o Acesso Oeste pegam tráfego pesado no horário de pico. Vale sair de madrugada ou bem cedo. Tem vários pedágios nesses acessos.
- RN5: asfalto geralmente bom, mas com algumas deformações e falta de demarcação em pontos. Tem muitas lombadas, radares e controles de velocidade, especialmente entre Chivilcoy e Bragado, com trechos onde o limite cai pra 60 km/h.
- La Pampa (RN152): entre General Acha e Puelches o asfalto é bem deformado e ruim pra dirigir à noite. A RP20 (La Reforma – Chacharramendi) aparece como alternativa em ótimo estado.
- RN151: o trecho entre Barda del Medio e Catriel é descrito como destruído, com crateras e tráfego ligado ao setor petrolífero. É um dos pontos mais perigosos pra dirigir rápido.
- Trecho final (RN237 e RN40): entre Piedra del Águila e Picún Leufú a estrada está em bom estado, com muitas subidas, descidas e curvas. A RN40 da Confluencia Traful até Bariloche está excelente, com paisagens lindíssimas.
A gente errou nessa: subestimou os radares da RN5 e quase levou multa num trecho de 60 km/h no meio do nada. Olho aberto, porque a fiscalização é severa.

Quanto custa a viagem de carro
Como a inflação argentina muda bastante os valores, o mais honesto é trabalhar com ordens de grandeza. No total, considerando combustível + pedágios só na ida, dá pra estimar algo na faixa de 180 mil a 230 mil pesos argentinos pra um carro de passeio médio.
Em combustível, a viagem consome em torno de 150 a 170 litros, dependendo do carro e da rota. Já em pedágios, são vários ao longo dos acessos de Buenos Aires e da RN5. Pra converter pra reais, use o câmbio do dia da sua viagem, porque os valores em pesos oscilam muito.
Onde parar para dormir no caminho
Como a viagem é dividida em 2 dias, o pernoite cai por volta dos 900 a 1.000 km. Na rota via RN5, as opções mais comuns são:
- Santa Rosa (La Pampa): fica a uns 600 a 650 km de Buenos Aires. Ideal pra quem quer dividir em pedaços mais curtos, principalmente viajando com crianças.
- General Acha ou região: chegando perto de 800 a 900 km no primeiro dia, deixa o segundo dia com uns 700 km.
- Neuquén ou Cipolletti: pra quem topa rodar uns 1.000 km no primeiro dia e curtir a entrada da Patagônia com calma no segundo. É a maior cidade da Patagônia argentina, com boa rede de hotéis, shoppings e restaurantes.
Na rota via RN3, Bahía Blanca é a parada clássica pra dormir, a uns 650 a 700 km de Buenos Aires. Quem quiser esticar pode ir até a região de Rio Colorado ou Neuquén no segundo dia.

O que ver e onde parar no caminho
O objetivo é chegar, mas a viagem fica bem mais legal com algumas paradas. Na rota via RN5, valem a pena:
- Santa Rosa (La Pampa): cidade média com boa infraestrutura pra dormir e comer, e algumas atrações históricas.
- General Acha: paisagem de deserto pampeano, com longas retas cercadas de cenário árido.
- Piedra del Águila: pequena cidade às margens da RN237, cercada de cânions e rios com tonalidades esverdeadas. É um dos trechos mais bonitos do caminho — e ponto importante pra abastecer.
Na rota via RN3, além de Bahía Blanca, dá pra incluir Las Grutas, um balneário famoso entre os argentinos, ótimo pra combinar praia + Bariloche na mesma viagem.
Melhor época para ir de carro
Cada estação tem seu charme e seus cuidados:
- Verão (dezembro a março): clima estável, dias longos e risco menor de neve na estrada. É o melhor pra quem tem receio de dirigir com gelo. Mais movimento de turistas, principalmente em janeiro.
- Inverno (junho a agosto): Bariloche está no auge da temporada de neve, mas pode haver gelo nas estradas, principalmente no trecho final. É fundamental checar alertas da polícia rodoviária e levar correntes para os pneus — em certas condições elas são obrigatórias. Os dias são curtos, então evite dirigir à noite.
- Meias temporadas (outubro–novembro e março–maio): ótimas pra dirigir, com menos movimento e menor chance de gelo pesado. O outono ainda entrega paisagens lindas de folhagens vermelhas e amarelas na região dos lagos.
Documentação e cuidados práticos
Pra atravessar a Argentina de carro tranquilo, fique de olho nestes pontos:
- A CNH brasileira é aceita na Argentina.
- Leve o documento do veículo em nome do condutor (ou autorização do proprietário) e o seguro carta verde do Mercosul, que é obrigatório.
- Tenha triângulo extra, extintor, kit de primeiros socorros e colete refletivo — alguns itens são fiscalizados nas estradas argentinas.
- Nunca ande com o tanque baixo: ao sul de La Pampa e na Patagônia os postos ficam bem espaçados. Abasteça quando o tanque chegar à metade, especialmente em Piedra del Águila.
- Atenção aos radares, principalmente na RN5, e evite ultrapassagens em faixa contínua, porque a multa é alta.
- Evite dirigir à noite em trechos com buracos, animais soltos e caminhões. Leve também um pouco de pesos em espécie, porque em postos e pedágios isolados o cartão pode dar problema.
Vale lembrar que pra uma viagem dessas o seguro viagem e o chip de celular são quase indispensáveis. Pra fazer o seguro a gente sempre usa esse comparador de seguros, que compara várias seguradoras e já vem com 18% de desconto exclusivo. Numa estrada patagônica isolada, ter assistência médica e na estrada cobre você de imprevistos que sairiam bem caros.
E pra ficar conectado o tempo todo, sem ficar dependendo de wi-fi, a gente garante esse chip de viagem que a gente usa ainda no Brasil. Ele ajuda demais pra usar GPS na estrada, conferir condições de tráfego e clima no caminho.
Erros comuns de turista brasileiro nessa viagem
Esses são os deslizes que mais aparecem na estrada — vale anotar pra não cair em nenhum:
- Tentar fazer tudo em um dia só: dirigir 17 a 20 horas seguidas aumenta muito o risco de acidente por fadiga. Divida em 2 dias.
- Não checar estradas e clima, principalmente no inverno, quando neve, gelo e interdições temporárias acontecem na Patagônia.
- Confiar demais em carro a GNV: o gás vai ficando raro à medida que você entra na Patagônia.
- Subestimar os radares da RN5 e voltar pra casa com multas por excesso de velocidade.
- Viajar no inverno sem correntes: em caso de nevasca, algumas estradas as exigem, e quem não tem pode ficar parado.
Chegada e dirigir em Bariloche
As estradas de acesso final, como a RN40, costumam estar em bom ou excelente estado, com paisagens de lago e montanha. Dentro de Bariloche tem muitas subidas, descidas e curvas. No inverno, pode haver gelo nas vias internas, então dirija devagar, evite frenagens bruscas e, se a neve for intensa, confira se precisa de correntes mesmo na cidade.
Já que você vai estar de carro, ficar bem localizado em Bariloche faz toda a diferença pra acessar os passeios sem perder tempo no trânsito. Olha aqui a melhor região pra se hospedar:
Onde ficamos em Bariloche (e 3 hotéis bons e baratos!)
Isso fez toda a diferença em nossas viagens! O centro de Bariloche será sempre o melhor lugar para se hospedar na cidade, na nossa opinião. Ficando nele, você estará perto da maior parte do comércio, restaurantes, agências de turismo e atrações. Há várias opções de hotéis mais simples e antigos, e por isso dá para encontrar bons preços neles!
Se quiser, é só clicar aqui em mapa, que abrirá esse mapa personalizado que a gente criou, com a melhor região. Quando abrir, feche o mapa, coloque a data da sua viagem, clique em pesquisar e depois em ‘mostrar mapa’ de novo pra ver os hotéis com os preços já naquela região.
Estratégia pra economizar bem com o hotel: a antecedência é o que faz você pagar mais barato, sempre. Nesse site do mapa e nos hotéis abaixo, a maioria tem cancelamento gratuito. Reserve o quanto antes pra garantir um preço bem menor — se precisar cancelar, não paga nada.
HOTEL BEM BARATO: O mais barato que a gente achou e foi ótimo. Faz tudo a pé.
HOTEL MUITO BOM: Um pouco melhor e na mesma região central. Amamos.
HOTEL TOP: Nosso favorito: localização excelente, conforto e charme.
Perguntas frequentes sobre ir de carro de Buenos Aires a Bariloche
Quantos dias leva a viagem de carro de Buenos Aires a Bariloche?
O ideal é fazer em 2 dias, com um pernoite por volta dos 900 a 1.000 km. São cerca de 17 a 20 horas de direção efetiva no total, então fazer em um único dia não é recomendável por causa do cansaço.
Qual a distância de Buenos Aires até Bariloche de carro?
A distância por estrada fica em torno de 1.570 a 1.600 km, dependendo da rota escolhida. Pra dimensionar, é parecido com sair de São Paulo e chegar em Fortaleza.
Qual a melhor rota de carro para Bariloche?
A rota mais usada é a via RN5, passando por La Pampa e Neuquén — mais direta e rápida. A alternativa pela RN3 e Bahía Blanca é um pouco mais longa, mas interessante pra quem quer incluir o litoral.
Precisa de correntes nos pneus para ir a Bariloche?
No inverno, sim. Em condições de neve ou gelo as correntes podem ser obrigatórias, principalmente no trecho final da viagem. Sempre confira os alertas da polícia rodoviária antes de pegar a estrada.
A CNH brasileira é válida na Argentina?
Sim, a CNH brasileira é aceita na Argentina. Além dela, leve o documento do veículo e o seguro carta verde do Mercosul, que é obrigatório pra circular pelo país.
Quanto custa a viagem de carro de Buenos Aires a Bariloche?
Somando combustível e pedágios só na ida, dá pra estimar algo na faixa de 180 mil a 230 mil pesos argentinos pra um carro médio. Como a inflação argentina varia muito, use o câmbio do dia pra converter em reais.
Economize ao máximo na sua viagem à Argentina
- Economizando: quer planejar sua viagem aproveitando melhor o orçamento? Não deixe de ler nossa matéria de como viajar barato para Buenos Aires, com todas as dicas pra economizar sem deixar de aproveitar!
- Ingressos: saiba onde comprar seus ingressos para as atrações de Buenos Aires da forma mais barata e segura.
- Carro: esse item facilita muito a viagem pela Argentina, de norte a sul. Se pensa em alugar um, leia como alugar um carro em Buenos Aires, com dicas de como conseguir o menor preço.
- Pesos: conheça a melhor forma de levar seu dinheiro para Buenos Aires, com os prós e contras de cada opção.
- Celular: quer usar o celular durante toda a viagem sem preocupações? Garanta um chip internacional ainda no Brasil clicando aqui.
- Hospedagem: veja nossa matéria de onde ficar em Buenos Aires pra saber a melhor localização e economizar no hotel.
- Seguro viagem: o atendimento médico no exterior pode sair caro. Veja aqui as dicas de como conseguir o melhor e mais barato seguro viagem.
- Transfer: precisa de um pra ir do aeroporto ao hotel? Saiba aqui como reservar pelo menor preço!
Encarar essa estrada é uma experiência que vale demais a pena se você curte road trip e tem tempo de sobra. A gente faria de novo só pelas paisagens da entrada da Patagônia. Planeje em 2 dias, saia cedo, abasteça com folga e curta cada quilômetro até chegar nos lagos de Bariloche. Boa viagem!
