
Quando a gente fala de Mendoza, todo mundo lembra do Malbec. Mas tem um segredo que muita gente descobre só quando chega lá: a região virou uma potência em espumantes. O Chardonnay e o Pinot Noir cultivados em altitude, com aquela amplitude térmica entre dia e noite, rendem bolhas de altíssima qualidade — e por preços que fazem a gente querer encher a mala.
Neste guia, a gente reuniu 5 vinícolas para comprar espumantes em Mendoza: onde ir, horários, o que cada uma tem de especial e como aproveitar a visita sem perrengue. Quando a gente foi pela primeira vez, o que mais surpreendeu foi descobrir que dá pra comprar espumante direto na loja da bodega bem mais barato do que chega aqui no Brasil — principalmente as linhas que nem aparecem por aqui.
E não esquece: aqui no nosso Guia de Mendoza a gente reuniu tudo pra montar a viagem inteira pagando mais barato — hotel, transporte, seguro, comida, chip e ingressos.
1) Vinícola Trapiche
A primeira da nossa lista de vinícolas para comprar espumantes em Mendoza é a vinícola Trapiche. Ela tem várias premiações e está presente em mais de 80 países pelo mundo. Fica em Maipú, a cerca de 25 minutos de carro do centro de Mendoza, o que facilita muito pra combinar com outras bodegas no mesmo dia.
A estrutura da Trapiche chama atenção pela arquitetura, que remonta aos primeiros anos do século XX. O lugar tem uma sala de degustação com pisos de vidro que dão pra ver o andar de baixo — rende foto bonita, inclusive.
Um ponto bacana é que a vinícola usa uma técnica chamada biodinâmica, que prioriza o que é natural, sem compostos químicos. Isso deixa os vinhos mais saborosos e ainda reduz o impacto na natureza.

O tour inclui um passeio pela bodega, contando a história e explicando o processo de produção do vinho. Tem também o restaurante Espacio Trapiche, com pratos excelentes pra fechar a visita comendo bem.
Pra suas compras de espumante, a variedade é grande: Pinot Noir, Dulce, Extra Brut, Brut Rosé, Rosado e Nature. Os valores costumam ir de 5.000 a 11.000 pesos argentinos por garrafa, dependendo da linha escolhida — mas lembra que na Argentina o câmbio e a inflação variam bastante, então use isso como referência.
Endereço: C. Nueva Mayorga s/n, M5513 Maipú, Mendoza.
Horário: Todos os dias, das 9h30 às 17h.
2) Vinícola López
A segunda opção é a vinícola López. Fundada em 1898, é uma vinícola familiar que teve como pioneiro José Gregorio López Rivas. Fica a uns 27 minutos de carro do centro de Mendoza, também em Maipú.
Com uma estrutura de mais de 26.000 m², ela tem fábrica de champanhe (pra elaboração dos espumantes), equipamentos tecnológicos de última geração, instalação de fracionamento, sala de tanques e por aí vai.
O legal da López é que ela é queridinha dos próprios mendocinos — ou seja, não é só uma bodega turística, é vinho consumido localmente de verdade. E a relação custo-benefício costuma ser ótima, o que faz dela um lugar perfeito pra comprar caixas de espumante e trazer pro Brasil.
Entre os espumantes, você escolhe entre Federico López, Montechenot, López e Mont Reims. Uma dica nossa: planeje visitar a López de manhã, principalmente no fim de semana, porque ela fecha cedo aos sábados e domingos. A gente quase errou nessa numa viagem — chegou perto da hora de fechar e foi tudo na correria.
Endereço: Ozamis 375, M5511APG Mendoza, Argentina.
Horário: De segunda a sexta, das 11h às 17h. Aos sábados e domingos, das 10h30 às 13h30.

Como chegar nas vinícolas e onde comprar os passeios
Olha uma coisa importante que muita gente subestima: não dá pra contar com transporte público pra chegar nas bodegas. A regra em Mendoza é carro alugado, remis/táxi ou tour organizado. E se você quer degustar bastante espumante — que é o objetivo, né? —, o ideal é ter um motorista ou contratar um tour com transporte incluído, porque ninguém deveria dirigir depois de provar várias taças.
Luján de Cuyo e Maipú são as regiões mais práticas pra montar um roteiro de 2 a 3 vinícolas no mesmo dia, sem deslocamento muito longo. E falando nisso, a gente sempre recomenda 2 a 3 bodegas por dia no máximo — com espumante o consumo é maior e mais rápido, e mais que isso já fica cansativo.
Pra economizar na compra dos passeios e degustações, vale comprar com antecedência pela internet. Sai mais barato, evita esgotar pro dia que você quer e poupa tempo de fila. E tem o detalhe do IOF: comprando no site oficial das bodegas, você paga na moeda local, com 3,5% de IOF e sem parcelar. Por isso a gente prefere comprar por sites com pagamento em reais.
Um site que a gente usa em todas as viagens é esse aqui. É um dos maiores do mundo e tem os ingressos e passeios de Mendoza. Já costuma ser dos mais baratos, mas a maior vantagem é que dá pra pagar em reais (sem IOF) e parcelar. Outras vantagens:
- Free tours: oferece tours gratuitos na maioria das cidades turísticas. Você só dá uma gorjeta pro guia no final.
- Cancelamento gratuito: dá pra cancelar o passeio sem custo nenhum.
- Transfer: você encontra também o transfer do aeroporto até o hotel. Às vezes sai mais barato que táxi, você paga adiantado (o que evita golpe de taxista com turista) e o motorista te espera com uma placa com seu nome no desembarque.
- Atendimento em português: suporte 24h e em português, se precisar.
Uma dica de passeio que vale muito é o tour pelas adegas de Luján de Cuyo com degustação de espumantes. Esse roteiro leva você pra visitar as adegas Cruzat, Chandon e Rosell Boher, provando vários espumantes pelo caminho. Funciona assim:
- Saída de Mendoza com destino à adega Chandon, com degustação de 3 espumantes Chandon.
- Parada na adega Cruzat, onde você vê como é feita a colheita das uvas, visita a cava subterrânea e prova 3 espumantes deliciosos.
- Parada na adega Rosell Boher, com visita aos vinhedos com vista pra Cordilheira dos Andes e almoço em um dos restaurantes já considerados dos melhores do mundo dentro de uma adega.
- Retorno a Mendoza.
O passeio inclui retirada no hotel e transfer de volta, guia que fala português, transporte de micro-ônibus ou ônibus, as degustações nas adegas Chandon e Cruzat e o almoço na Rosell Boher. O valor costuma ficar em torno de 4.590 reais por pessoa (adulto), variando conforme câmbio e tipo de experiência.
3) Vinícola Chandon
Não dá pra falar de espumantes em Mendoza sem citar a Chandon. Pra muita gente, visitar a Chandon é praticamente obrigação no roteiro — afinal, é a bodega do espumante famoso no mundo todo e uma das maiores produtoras da Argentina.
Numa visita, você descobre a história da vinícola e degusta o autêntico espumante da casa. De quebra, contempla os jardins belíssimos, que rendem ótimas fotos de recordação.
O bacana da Chandon é a variedade de tours. Tem a visita Clássica, que é a mais tradicional, a Premium, que inclui uma vivência gastronômica, e o Menu de 4 Passos, que é o mais completo e elaborado. A bodega trabalha tanto com o método tradicional quanto charmat, com rótulos pra todos os bolsos.

A Chandon fica em Luján de Cuyo, região clássica de vinícolas, e dá pra combinar com outras bodegas da mesma área no mesmo dia. As garrafas na loja podem começar na casa dos 7.000-8.000 pesos e subir bastante conforme a linha — e por ser uma marca global, vale comparar com os preços do Brasil: em geral compensa comprar in loco, especialmente as linhas que não chegam fácil por aqui.

Endereço: Avenida Ortiz de Ocampo 2839, Luján de Cuyo.
Horário: Todos os dias, das 9h às 18h.
4) Vinícola Lagarde
A vinícola Lagarde é liderada por Lucila e Sofía Pescarmona, representantes da 3ª geração da família. Fica a uns 27 minutos de carro do centro de Mendoza, em Luján de Cuyo.
Lá você encontra uma vinícola de muita tradição, mas ao mesmo tempo bem moderna, com recursos tecnológicos surpreendentes. Pra você ter ideia, ela tem capacidade de reservar cerca de 2.000 litros, e o tanque de champanhe pode abastecer mais de 10.000 garrafas de espumante de alta gama.
E por falar em espumante, na Lagarde você pode comprar rótulos da linha Lagarde Blanc de Noir, Lagarde Champenoise Extra Brut, Lagarde Lungo e Lagarde Dolce.

A estrutura da Lagarde tem espaços pra visitas e degustações, restaurante (que é famoso e aparece em vários roteiros de almoço harmonizado), vinhedos e por aí vai. A região é bem privilegiada: o sistema de irrigação usa a água do degelo que desce da Cordilheira dos Andes.
Outra informação bacana é que a bodega tem um compromisso forte com a sustentabilidade — a produção respeita o meio ambiente e a comunidade. Não à toa é referência de qualidade no mercado.
Endereço: San Martín 1745, M5507 Mayor Drummond, Mendoza, Argentina.
Horário: Todos os dias, das 12h30 às 18h. Às sextas e sábados também abre à noite, das 20h30 à 1h.
5) Vinícola Salentein
Por fim, mas não menos importante, a 5ª indicação é a vinícola Salentein. Ela se destaca pela estrutura charmosa, construída inteiramente com materiais naturais.
Localizada a 1.200 metros de altitude, bem na região central dos vinhedos, encanta pela beleza e grandiosidade — mas principalmente pelo cuidado com a natureza, na busca por fazer vinhos da mais alta qualidade.
Fica no Vale do Uco e pode ser acessada a partir do centro de Mendoza num percurso de aproximadamente 1 hora e 30 minutos de carro. Justamente por ser mais longe, vale reservar um dia só pra ela ou combinar com outras bodegas do Vale do Uco.
Se você quer comprar um bom espumante, dá pra escolher entre Extra Brut, Brut Rosé, Brut Nature, Blanc de Blancs e Doux.

Na estrutura da Salentein você desfruta de cavas subterrâneas com barris de vinho, salas de degustação (uma central e outras laterais), o quarto Primus — uma sala exclusiva onde é produzida a linha de edição limitada —, um restaurante e até uma pousada.
Quanto custa visitar as vinícolas de Mendoza
Pra você se planejar, aqui vão algumas faixas de referência (lembrando sempre que os valores variam muito com a inflação e o câmbio na Argentina — use como base, não como número fixo):
- Degustação simples: em torno de 10.000 a 20.000 pesos por pessoa, dependendo da bodega e da quantidade de vinhos.
- Degustação premium ou com espumantes especiais: cerca de 20.000 a 40.000 pesos ou mais.
- Almoço com menu degustação harmonizado: geralmente entre 30.000 e 70.000 pesos por pessoa nas vinícolas mais concorridas.
- Garrafa de espumante na loja da vinícola: desde uns 4.000-5.000 pesos (linhas básicas) até 20.000 pesos ou mais (linhas premium e safras especiais).
Uma dica de ouro: muitos motoristas e lojinhas preferem pagamento em pesos. Chega com algum câmbio feito ou saca em caixa eletrônico na cidade pra não pagar pior depois.
Erros comuns de brasileiros nas vinícolas (e como evitar)
Tem alguns deslizes que a gente vê muito turista cometendo. Anota aí pra não cair nas mesmas armadilhas:
- Não reservar com antecedência: muitas bodegas exigem reserva prévia pra visita, degustação e restaurante. Aparecer sem reserva, principalmente em alta temporada e fins de semana, é receita pra voltar sem entrar.
- Tentar fazer vinícolas demais no mesmo dia: 2 a 3 por dia já é bastante. Mais que isso cansa e fica perigoso se alguém estiver dirigindo.
- Subestimar distâncias e horários: os horários em Mendoza são certinhos — as bodegas fecham na hora marcada. Programe com folga.
- Esquecer da franquia de bebidas: a regra geral da Receita Federal é de 12 litros de bebida alcoólica por pessoa. Vale ter isso em mente pra não ter dor de cabeça no retorno.
- Não proteger as garrafas na mala: nem toda bodega oferece caixa. Use roupas pra proteger as garrafas ou compre uns protetores (wine sleeves) em lojas especializadas.
Melhor época para visitar Mendoza atrás de espumantes
A primavera (setembro a novembro) e o outono (março a maio) são as épocas mais agradáveis em clima e paisagem. Fevereiro e março, na época da vindima, têm mais movimento e eventos ligados ao vinho — ótimo clima, mas é alta temporada, com preços mais altos e necessidade de reservar com antecedência.
No inverno, os espumantes combinam demais com menus degustação e ainda tem chance de pegar neve na Cordilheira, mas o frio é intenso. No verão faz calor forte: as vinícolas são climatizadas, mas os passeios pelos vinhedos cansam nos horários de sol mais quente.
Pra fazer um bom roteiro, a gente sugere reservar um dia pra Maipú (Trapiche + López) e outro pra Luján de Cuyo (Chandon + Lagarde, com almoço harmonizado), deixando a Salentein pra um dia mais tranquilo no Vale do Uco.
Pra aproveitar bem as vinícolas, ficar bem localizado faz toda a diferença: menos tempo no transporte e mais tempo provando espumante. Olha aqui a melhor região pra se hospedar em Mendoza:
Onde ficamos em Mendoza (e 3 hotéis bons e baratos!)
Isso fez toda a diferença em nossas viagens! O centro de Mendoza é o mais indicado para se hospedar. Esta região é perfeita para quem vai passar pouco tempo na cidade, já que a maior parte dos pontos turísticos fica por lá. Sem contar que o trajeto para cafés, bancos, lojas, restaurantes e outros lugares para curtir a noite será bem mais simples.
Se quiser, é só clicar aqui em mapa, que abrirá esse mapa personalizado que a gente criou, com a melhor região. Quando abrir, feche o mapa, coloque a data da sua viagem, clique em pesquisar e depois em ‘mostrar mapa’ de novo pra ver os hotéis com os preços já naquela região.
Estratégia pra economizar bem com o hotel: a antecedência é o que faz você pagar mais barato, sempre. Nesse site do mapa e nos hotéis abaixo, a maioria tem cancelamento gratuito. Reserve o quanto antes pra garantir um preço bem menor — se precisar cancelar, não paga nada.
HOTEL BEM BARATO: O mais barato que a gente achou e foi ótimo. Faz tudo a pé.
HOTEL MUITO BOM: Um pouco melhor e na mesma região central. Amamos.
HOTEL TOP: Nosso favorito: localização excelente, conforto e charme.
Perguntas frequentes sobre vinícolas e espumantes em Mendoza
Quais são as melhores vinícolas para comprar espumantes em Mendoza?
Entre as mais indicadas estão a Trapiche e a López (em Maipú), a Chandon e a Lagarde (em Luján de Cuyo) e a Salentein (no Vale do Uco). Todas têm boa estrutura de visita e loja com variedade de espumantes pra você levar pra casa.
Precisa reservar para visitar as vinícolas?
Sim, a maioria das bodegas exige reserva prévia pra visitas, degustações e restaurante. Reserve com antecedência, especialmente em alta temporada e fins de semana, pra não correr o risco de chegar e não conseguir entrar.
Quantas vinícolas dá pra visitar em um dia?
O ideal são 2 a 3 vinícolas por dia. Com espumante, o consumo é maior e mais rápido, e mais que isso fica cansativo. Além disso, as distâncias e os tempos de degustação ocupam mais do que parece.
Como chegar nas vinícolas de Mendoza?
Não conte com transporte público. O jeito é carro alugado, remis/táxi ou tour organizado com transporte incluído. Se você for degustar bastante, contrate motorista ou tour pra ninguém precisar dirigir.
Quanto espumante posso trazer da Argentina pro Brasil?
A regra geral da Receita Federal é de 12 litros de bebida alcoólica por pessoa, contando todos os vinhos e espumantes juntos. Vale ficar de olho nesse limite pra não ter problema no retorno.
Compensa comprar espumante na vinícola em vez de no Brasil?
Em geral sim, principalmente as linhas que não chegam fácil ao mercado brasileiro. Comprando direto na loja da bodega você costuma pagar bem menos, e ainda tem acesso a rótulos exclusivos e safras especiais.
Economize ao máximo na sua viagem à Argentina:
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Mendoza é daqueles destinos que, depois que a gente vai, fica com vontade de voltar — e sempre sobra espaço na mala pra mais umas garrafas. Se você ama bolhas, monte o roteiro com calma, reserve com antecedência e aproveite cada degustação. Saúde e boa viagem!
