
Lima é uma cidade que surpreende em cada esquina: deserto costeiro com pouquíssima chuva, falésias debruçadas sobre o Pacífico, ruínas pré-incas no meio do bairro mais turístico e uma das gastronomias mais celebradas do mundo. Em 2 dias dá pra montar um roteiro denso, que mistura história, arte de rua, ceviche e pôr do sol no oceano.
Quando a gente foi pela primeira vez, o que mais surpreendeu foi o contraste: num dia você está num sítio arqueológico de 1.600 anos, no outro está jantando num restaurante listado entre os melhores do planeta. Pra ajudar a montar sua viagem inteira pagando mais barato (hotel, transporte, seguro, chip e ingressos), dá uma olhada no nosso guia completo de Lima.
Abaixo, a gente reuniu o roteiro que considera o mais eficiente pra quem tem só 48h na capital peruana, com dicas práticas de tempo, deslocamento e onde comer.
Primeiro dia em Lima: Miraflores e Barranco
A ideia do primeiro dia é começar pelo bairro onde provavelmente você vai estar hospedado (Miraflores), explorar o Malecón com calma, almoçar à beira-mar e descer pra Barranco no fim da tarde, pegando o pôr do sol e a noite boêmia.
Manhã: Malecón de Miraflores e Huaca Pucllana
Comece o dia caminhando pelo Malecón de Miraflores, um conjunto de parques sobre as falésias com vista pro Pacífico. O trecho mais bonito passa pelo Parque do Amor, famoso pelo mosaico estilo Gaudí e pela escultura “El Beso”. Reserve cerca de 1h30 a 2h e, se curtir, vale alugar uma bicicleta — várias agências do bairro alugam por hora.

Depois, vá pra Huaca Pucllana, um sítio arqueológico pré-inca de mais ou menos 1.600 anos cravado no meio do bairro. É praticamente um museu a céu aberto, e a visita é feita com guia (em torno de 1h a 1h30). A gente errou nessa na primeira vez: foi sem reservar e pegou a visita em inglês quase cheia. Vai cedo de manhã ou confirma o horário em português antes.
Pra entrar nas atrações de Lima sem fila e com tour em português, dá uma olhada nos passeios desse site que a gente usa em todas as viagens. É o maior do mundo em passeios em português, com cancelamento gratuito até 48h antes e suporte 24h em português. Tem city tour pelo Centro Histórico, tour gastronômico de ceviche, visita guiada às catacumbas, bate-volta pra Paracas e Huacachina e até aula de culinária peruana. A gente sempre reserva por lá pra garantir o guia em português e não perder tempo com fila.
Almoço: ceviche no Larcomar ou em Miraflores
Pra almoçar, o Larcomar é uma boa pedida: shopping aberto “pendurado” na falésia, com restaurantes de frente pro mar e várias opções de ceviche. Outra alternativa clássica é o El Mercado, do chef Rafael Osterling, especializado em frutos do mar — fica na Av. Hipólito Unanue 203 e funciona normalmente de terça a domingo, das 12h30 às 17h. A faixa de preço em restaurantes turísticos de Miraflores costuma ficar entre 50 e 100 soles por pessoa.

Tarde: Barranco boêmio
De Miraflores pra Barranco são uns 10-15 minutos de aplicativo (Uber, Cabify ou Beat funcionam super bem em Lima). O bairro é o reduto artístico da cidade, cheio de casinhas coloridas, galerias, murais de street art, cafés e bares.
As paradas obrigatórias são:
- Ponte dos Suspiros (Puente de Los Suspiros) — cartão-postal do bairro, com a lenda de que, ao cruzá-la pela primeira vez prendendo a respiração e fazendo um pedido, ele se realiza.
- Bajada de Baños — ruazinha de pedestres que desce em direção ao mar, cheia de restaurantes e grafites.
- Mirador Chabuca Granda — mirante mais escondido, com uma das melhores vistas do Pacífico no bairro.
- MATE — Museu Mario Testino — museu de fotografia dedicado ao fotógrafo peruano que estourou na moda mundial. Boa parada pra quem curte arte contemporânea.
- Dédalo — casarão antigo virou boutique de design e artesanato peruano de qualidade. Ótimo lugar pra souvenir que não é de mercadinho turístico.

Noite: pôr do sol e jantar em Barranco
Fica em Barranco pro fim do dia. O bairro é perfeito pra emendar pôr do sol no mirante, jantar num restaurante de cozinha autoral e fechar a noite num bar de coquetelaria. Drinks costumam custar entre 25 e 40 soles, e o jantar fica em torno de 60 a 150 soles por pessoa, dependendo da casa.
Dica de quem já errou: muita gente faz Barranco só à noite, correndo, e perde o charme do bairro de dia. Se puder, chegue ainda à tarde pra aproveitar os murais e as galerias com luz natural.
Segundo dia em Lima: Centro Histórico, Museu Larco e Circuito Mágico das Águas
O segundo dia é mais cultural: manhã no Centro Histórico (patrimônio da UNESCO), tarde no museu mais importante do Peru e noite num dos passeios mais queridos pelos limeños.
Manhã: Centro Histórico de Lima
De Miraflores até o Centro são uns 25-30 minutos sem trânsito, mas em horário de pico podem virar mais de 1 hora. Vá cedo, de aplicativo (a corrida costuma sair entre 20 e 40 soles).
Comece pela Plaza Mayor (ou Plaza de Armas), o coração da cidade colonial. Ao redor dela ficam:
- Catedral de Lima — interior riquíssimo, com obras de arte sacra e o túmulo de Francisco Pizarro.
- Palácio do Governo — sede do governo peruano, em estilo colonial; vale conferir o horário da troca de guarda.
- Palácio Municipal e casarões com as típicas varandas de madeira fechada, símbolo arquitetônico de Lima.

Em seguida, vá ao Convento e Catacumbas de São Francisco, do século XVI. Os claustros decorados com azulejos e uma das bibliotecas mais antigas da América já valem a visita, mas o ponto alto são mesmo as catacumbas, onde estão ossadas de cerca de 25 mil pessoas dispostas em padrões geométricos que impressionam. A visita é guiada e leva em torno de 1h a 1h30.
Se sobrar tempo, vale incluir o Museu da Inquisição, o Convento de Santo Domingo, a Plaza San Martín e o Parque La Muralla, com restos da antiga muralha da cidade.
Almoço: menu executivo no Centro ou no Museu Larco
No Centro Histórico tem muito restaurante simples com menu executivo barato e autêntico — uma boa pra quem quer comer comida peruana de verdade gastando pouco. Outra opção bem turística (mas excelente) é almoçar no próprio Museu Larco, que tem um restaurante muito elogiado entre os jardins.
Tarde: Museu Larco (Pueblo Libre)
O Museu Larco fica em Pueblo Libre, um bairro mais tranquilo, e é considerado um dos museus mais importantes do Peru. O acervo é impressionante: cerâmicas, metais, têxteis e arte pré-colombiana de várias civilizações que existiram muito antes dos incas. Reserve em torno de 2 horas pra visita.
Tem uma sala que sempre rende conversa: a de cerâmica erótica pré-colombiana. Funciona, normalmente, todos os dias das 10h às 19h, mas confirme antes de ir.

Noite: Circuito Mágico das Águas
Pra fechar a viagem, vá ao Circuito Mágico das Águas, no Parque de la Reserva, perto do Centro. É um dos maiores complexos de fontes interativas iluminadas do mundo, com show de água, luzes e música que costuma rolar em horários específicos no início e meio da noite. O ingresso é bem acessível (faixa de 10 a 20 soles) e a visita leva em torno de 1h a 1h30.
Programa que funciona bem com criança, casal e amigos — não é um clichê turístico, é diversão de verdade pra família.

O que comer em Lima: pratos que não dá pra perder
Lima é considerada a capital gastronômica da América Latina, e isso aparece desde os menus executivos de rua até os restaurantes premiadíssimos (Central, Maido, Kjolle), que pedem reserva com bastante antecedência e onde o menu degustação pode passar tranquilamente de 300 a 600 soles por pessoa, sem bebidas.
Independentemente do orçamento, prove:
- Ceviche — peixe cru marinado no limão, com cebola roxa e milho. O prato-símbolo do país.
- Lomo saltado — tiras de carne salteadas com cebola e tomate, herança da influência chinesa na culinária local.
- Anticuchos — espetinhos de coração de boi, tradicionalíssimos.
- Causa rellena, ají de gallina e suspiro limeño de sobremesa.
- Picarones — uma espécie de donut de abóbora e batata-doce com calda de rapadura, comida de rua imperdível.
Pra beber, o clássico é o Pisco Sour. Se não quiser álcool, peça chicha morada (bebida de milho roxo) ou o icônico refrigerante amarelo Inka Kola.
Seguro viagem pro Peru
Atendimento médico no exterior sai caro, e em Lima vale ainda mais ter respaldo porque muita gente emenda a viagem com Cusco e Machu Picchu (altitude alta, mal-estar é comum). A gente sempre cota nesse comparador de seguros, que mostra todas as principais seguradoras numa tela só e já aplica um desconto exclusivo de 18% pros leitores do Grupo Dicas. O pagamento é em reais, parcelado, e o suporte é 24h em português.
Chip de celular pra usar em Lima
Pra não depender de Wi-Fi do hotel e conseguir chamar Uber, abrir o Google Maps e usar o tradutor a qualquer hora, o melhor é chegar com chip funcionando. A gente usa esse chip de viagem — chega na sua casa antes da viagem, é ativado no Brasil mesmo e funciona assim que o avião pousa em Lima. Pagamento em reais, sem dor de cabeça com loja de operadora no aeroporto.
Erros comuns de turistas brasileiros em Lima (e como evitar)
- Subestimar o trânsito — distâncias parecem curtas no mapa, mas Lima tem trânsito pesado. Centro–Miraflores em horário de pico pode passar de 1 hora fácil.
- Ir pro Centro Histórico com pressa — muita gente só dá uma volta pela Plaza Mayor e não entra na Catedral nem em São Francisco, e aí perde o melhor.
- Pular o Museu Larco — por ficar um pouco fora do circuito, muita gente corta. Erro.
- Esperar praia caribenha — o mar de Lima é frio e bravo. O charme é a vista das falésias, não o banho.
- Levar pouca roupa de frio no inverno — entre junho e setembro a temperatura fica em torno de 15-18°C, mas a umidade e o vento do Pacífico fazem parecer bem mais frio. Casaco leve é essencial.
- Não aclimatar antes de Cusco — Lima é nível do mar, ótima pra começar a viagem. O “susto” da altitude vem depois.
Quando ir e quanto custa em média
Lima é visitável o ano inteiro porque praticamente não chove. De dezembro a março (verão), os dias são mais quentes (25-28°C), o céu fica mais aberto e o Pacífico aparece em todo seu esplendor. De junho a setembro, o tempo é mais frio e nublado (a famosa garúa, uma neblina fina), mas continua perfeito pra passeios urbanos e gastronômicos.
Pra ter uma ideia de custo, refeições em restaurante turístico médio ficam entre 30 e 60 soles por pessoa (sem bebida alcoólica), passagem de ônibus urbano gira em torno de 2-4 soles e táxi/app de Miraflores até o Centro Histórico custa entre 20 e 40 soles dependendo do trânsito.
Onde ficamos em Lima (e 3 hotéis bons e baratos!)
Isso fez toda a diferença em nossas viagens! Existem duas regiões que são as melhores para os turistas em Lima. Uma delas é Miraflores, perfeita para quem quer ficar perto da praia, dos principais pontos turísticos e do agito noturno. Miraflores é famosa por seus restaurantes, bares, hotéis de diversas categorias e belas vistas do oceano. A outra região é o Centro Histórico, onde você encontra uma grande concentração de museus, praças e construções coloniais.
Se quiser, é só clicar aqui em mapa, que abrirá esse mapa personalizado que a gente criou, com a melhor região. Quando abrir, feche o mapa, coloque a data da sua viagem, clique em pesquisar e depois em ‘mostrar mapa’ de novo pra ver os hotéis com os preços já naquela região.
Estratégia pra economizar bem com o hotel: a antecedência é o que faz você pagar mais barato, sempre. Nesse site do mapa e nos hotéis abaixo, a maioria tem cancelamento gratuito. Reserve o quanto antes pra garantir um preço bem menor — se precisar cancelar, não paga nada.
HOTEL BEM BARATO: O mais barato que a gente achou e foi ótimo. Faz tudo a pé.
HOTEL MUITO BOM: Um pouco melhor e na mesma região central. Amamos.
HOTEL TOP: Nosso favorito: localização excelente, conforto e charme.
Perguntas frequentes sobre 2 dias em Lima
2 dias em Lima são suficientes?
Sim, dá pra ter uma boa experiência da cidade em 2 dias se o roteiro for bem montado, focando em Miraflores, Barranco, Centro Histórico e Museu Larco. Pra quem quer incluir bate-volta pra Paracas, Huacachina ou Pachacámac, o ideal são 3 a 4 dias.
Qual o melhor bairro pra se hospedar em Lima?
Miraflores é o mais indicado: seguro, cheio de hotéis e restaurantes, com calçadão à beira-mar e fácil acesso ao resto da cidade. Barranco é uma boa segunda opção pra quem prefere clima boêmio e artístico.
Lima é uma cidade segura?
Os bairros turísticos (Miraflores, Barranco e San Isidro) são tranquilos durante o dia e a noite. No Centro Histórico, atenção redobrada com pertences e evite áreas afastadas à noite. Use sempre aplicativo (Uber, Cabify, Beat) em vez de táxi pego na rua.
Vale a pena visitar o Centro Histórico em só meio dia?
Vale, mas só pra atrações principais: Plaza Mayor, Catedral e Convento de São Francisco com catacumbas. Pra incluir museus e os outros conventos, reserve um dia inteiro.
Quanto custa em média comer em Lima?
Restaurante turístico médio em Miraflores ou Barranco fica entre 50 e 100 soles por pessoa. Menus executivos no Centro saem por bem menos, em torno de 20-35 soles. Restaurantes premiados (Central, Maido) podem passar de 600 soles por pessoa no menu degustação.
Como ir do aeroporto de Lima até Miraflores?
Não há metrô ligando o aeroporto à cidade. O mais prático é aplicativo (Uber, Cabify, Beat) ou transfer turístico pré-reservado. O trajeto até Miraflores leva em torno de 45 minutos a 1h15 dependendo do trânsito.
Precisa de visto pra ir ao Peru?
Brasileiros não precisam de visto pra entrar no Peru como turistas. Basta passaporte válido ou RG em bom estado (com menos de 10 anos de emissão) na chegada.
Economize ao máximo na sua viagem ao Peru
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Lima é uma cidade que recompensa quem chega com o roteiro pensado. Em 48h dá pra entender por que ela é considerada a capital gastronômica da América Latina, conhecer civilizações que existiam milhares de anos antes dos incas e fechar tudo com pôr do sol no Pacífico e show de fontes iluminadas. A gente sempre volta com a sensação de que faltou tempo — e isso é o melhor sinal de que a viagem valeu a pena.