Neste post, vamos te mostrar o roteiro perfeito pela Patagônia Argentina. Uma das perguntas que mais recebemos é como montar um itinerário lógico que combine as três joias do sul do continente: El Calafate, com suas geleiras gigantescas; El Chaltén, que é a capital nacional do trekking; e Ushuaia, a famosa cidade do fim do mundo.

Para fazer esta viagem sem correria, aproveitando as trilhas e os passeios de barco que dependem do clima, nós recomendamos pelo menos 10 a 12 dias. Por isso, nós preparamos um roteiro super completo de 11 dias, com o melhor dessa região, detalhado dia a dia. Então, vamos lá!

Logística e planejamento da viagem

Qual a melhor época para visitar a Patagônia Argentina?

A região é extrema e o vento é constante. A escolha da época faz toda a diferença na sua experiência:

  • Verão (outubro a março – a melhor época): A melhor época disparada é o verão. Os dias são intermináveis, com luz até às 22h, e as temperaturas são suportáveis (entre 5°C e 15°C), permitindo fazer todos os passeios.
  • Inverno (junho a setembro): O inverno é lindo com neve, mas os dias são muito curtos e muitas trilhas em El Chaltén ficam inacessíveis ou perigosas. Além disso, não há pinguins em Ushuaia nessa época.
  • Outono (Abril): O outono em abril é a época mais bonita visualmente, com a vegetação ficando vermelha e laranja, mas já começa a esfriar bastante.

Quantos dias ficar na Patagônia Argentina?

Para fazer este roteiro cobrindo as três cidades com qualidade, o mínimo do mínimo que recomendamos é de 9 dias. Mas para fazer com calma e ter margem caso algum passeio seja cancelado pelo vento, o ideal são 11 dias.

Com 11 dias, você pode dividir suas noites assim:

  • 3 noites em El Calafate
  • 3 noites em El Chaltén
  • 4 noites em Ushuaia

Transporte: Como se locomover nesta rota

Para chegar, você voará de Buenos Aires para El Calafate (FTE). A logística interna funciona da seguinte forma:

  • De El Calafate para El Chaltén: A única forma é pela estrada. São 220 km de asfalto em uma reta infinita que leva cerca de 3 horas. Você pode ir de ônibus de linha que sai da rodoviária ou alugar um carro.
  • De El Calafate para Ushuaia: Você precisa pegar um avião. A distância é enorme e não vale a pena ir de ônibus. O voo direto dura 1h20.
  • Dentro das cidades: Em El Calafate e Ushuaia, você vai utilizar muito táxi, remis ou os transfers das agências de passeio, pois as atrações ficam longe do centro. Em El Chaltén, você faz absolutamente tudo a pé, desde sair do hotel até o início das trilhas.

Onde ficar hospedado: Melhores regiões

Ficar hospedado em uma boa região vai fazer sua viagem ficar muito mais fácil. A estratégia nesta rota é focar na localização central:

  1. El Calafate: Fique perto da Avenida del Libertador, a rua principal, para ter acesso fácil a restaurantes e lojas a pé.
  2. El Chaltén: A vila é minúscula, mas ficar perto da Avenida San Martín facilita o acesso ao início das trilhas e aos restaurantes.
  3. Ushuaia: Fique no centro, perto do porto e da Avenida San Martín. A cidade é uma ladeira íngreme, então quanto mais perto da orla você ficar, menos subidas terá que enfrentar na volta do jantar.

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Patagônia Argentina

Roteiro detalhado dia a dia (11 dias)

Dia 1: Chegada em El Calafate e Lago

Chegue no aeroporto de El Calafate e pegue um transfer ou táxi para o hotel. A cidade é pequena e charmosa.

Comece visitando a Laguna Nimez, uma reserva ecológica bem no centro onde você caminha e vê dezenas de flamingos e aves com o Lago Argentino ao fundo (a entrada custa cerca de R$ 50).

No fim da tarde, vá ao Glaciarium, um museu do gelo supermoderno que tem um bar de gelo no subsolo. Jante um tradicional cordeiro patagônico no restaurante La Tablita.

Dia 2: O rei do gelo – Glaciar Perito Moreno

Este é o dia principal! O Glaciar Perito Moreno fica a 80 km da cidade. A entrada no Parque Nacional custa cerca de R$ 150. Você tem duas opções imperdíveis:

  1. Passarelas de Madeira: Caminhar pelas passarelas que ficam de frente para o paredão de gelo. Você ouve os estrondos e vê blocos de gelo do tamanho de prédios caindo na água.
  2. Mini-Trekking: A opção mais incrível! Você coloca grampones nos pés e caminha por cima da geleira por 1 hora e meia. É uma experiência única na vida que custa cerca de R$ 1.500 e inclui o transfer e o passeio de barco.

Dia 3: Navegação entre icebergs

Faça o passeio de barco chamado Todo Glaciares (ou Ríos de Hielo). Você navega pelo Lago Argentino e chega perto dos glaciares Upsala e Spegazzini, que são ainda maiores que o Perito Moreno, com paredões de mais de 100 metros de altura.

O barco navega entre icebergs azuis gigantes. O passeio dura o dia todo e custa cerca de R$ 800. Se quiser o luxo, pague o suplemento para a área VIP do barco com comida e bebida liberada.

Dia 4: Rumo à Capital do Trekking (El Chaltén)

Pegue o ônibus cedo na rodoviária de El Calafate para El Chaltén. A viagem de 3 horas é linda e, se o tempo estiver bom, você verá o imponente Monte Fitz Roy da estrada.

Chegue, faça o check-in e almoce empanadas na rotisseria local. À tarde, faça a trilha curta e gratuita para o Mirador de Los Cóndores e Mirador de Las Águilas (leva cerca de 1 hora ida e volta e dá uma vista panorâmica da vila e das montanhas).

Dia 5: O desafio do Monte Fitz Roy

Acorde cedo para fazer a trilha mais famosa: a Laguna de Los Tres, na base do Monte Fitz Roy. São cerca de 25 km ida e volta, levando de 8 a 9 horas de caminhada.

O nível é difícil, especialmente o último quilômetro de subida íngreme, mas a vista da lagoa azul com a montanha de pedra atrás é a mais bonita da Patagônia. Leve lanche e muita água. Na volta, recupere as energias com um salgado ou doce na La Waflería.

Dia 6: Laguna Torre e retorno a El Calafate

Faça a trilha para a Laguna Torre, que é mais plana e fácil que a do Fitz Roy. São cerca de 18 km ida e volta, levando 6 horas. Você chega na base do Cerro Torre e vê uma lagoa com icebergs flutuando.

No final da tarde, pegue o ônibus de volta para El Calafate e durma lá para pegar o voo no dia seguinte.

Dia 7: Chegada ao Fim do Mundo (Ushuaia)

Voe de El Calafate para Ushuaia. Tente sentar do lado direito do avião para ver a Cordilheira dos Andes encontrando o mar.

Chegue e tire a foto clássica na placa Ushuaia Fin del Mundo no porto. Vá ao posto de turismo carimbar seu passaporte com o selo do fim do mundo.

Visite o Museu do Presídio, que conta a história da cidade que nasceu como uma colônia penal (o ingresso custa cerca de R$ 120). Jante a famosa Centolla (caranguejo gigante) no restaurante El Viejo Marino.

Dia 8: Trem do Fim do Mundo e Parque Nacional

Pela manhã, vá ao Parque Nacional Tierra del Fuego. Você pode pegar o Trem do Fim do Mundo, uma maria-fumaça turística que percorre o caminho dos prisioneiros (o trem custa cerca de R$ 300).

Dentro do parque, visite a Bahía Lapataia, onde termina a famosa Rodovia Pan-Americana que começa lá no Alasca. Visite o Correio do Fim do Mundo, na Ensenada Zaratiegui, e mande um cartão-postal para casa.

Dia 9: Navegação pelo Canal Beagle e Pinguins

Faça a navegação pelo Canal Beagle. Você sai do porto turístico e visita a Ilha dos Lobos Marinhos, a Ilha dos Pássaros e o Farol Les Éclaireurs (o cartão-postal da cidade). O passeio custa cerca de R$ 350.

Se for verão (outubro a março), faça o passeio da pinguinheira na Ilha Martillo. A dica de ouro é contratar o passeio da Estancia Harberton, que permite descer do barco e caminhar entre os pinguins por uma hora. Custa caro (cerca de R$ 1.000) e esgota meses antes, mas é inesquecível!

Dia 10: Lagos, Aventura 4×4 ou Laguna Esmeralda

Faça o passeio em veículos 4×4 para os Lagos Fagnano e Escondido. É uma aventura off-road que passa por castoreiras (represas feitas por castores) e inclui um almoço com churrasco no meio da floresta (custa cerca de R$ 400).

Se preferir caminhar, faça a trilha da Laguna Esmeralda, que leva 4 horas ida e volta e é gratuita, mas exige botas impermeáveis, pois tem muita lama.

Dia 11: Compras isentas e partida

Ushuaia é uma zona livre de impostos. Aproveite a manhã para comprar perfumes, eletrônicos e roupas de trekking na Avenida San Martín com preços ótimos. Compre chocolates locais na loja Laguna Negra.

Siga para o aeroporto para seu voo de volta, geralmente com conexão em Buenos Aires.

Dica importante sobre ingressos e reservas antecipadas

Uma dica importante é comprar os ingressos das atrações com antecedência: o Mini-Trekking no Perito Moreno e a caminhada com pinguins em Ushuaia são os passeios mais concorridos da Argentina e acabam rápido!

Nós compramos nossos ingressos no maior site de passeios do mundo, onde você pode comprar em reais e economizar com taxas internacionais.

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Dicas rápidas de compras e gastronomia

  • Onde comprar:
    • Ushuaia: A loja Duty Free Shop Atlántico Sur tem cosméticos e bebidas. Para roupas de frio e botas impermeáveis, a Popper e a Scandinavian são as melhores.
    • El Calafate: Compre geleia de calafate (a frutinha roxa local) e artesanato nas lojinhas do centro.
  • Quanto custa comer na Patagônia? É mais caro do que em Buenos Aires:
    • Cordeiro livre: Cerca de R$ 150 por pessoa.
    • Prato individual de massa: Cerca de R$ 70.
    • Centolla inteira para dois: Cerca de R$ 300.
  • O que fazer à noite:
    • El Calafate: Visite o Yeti Ice Bar para beber em copos de gelo.
    • El Chaltén: A Cervecería Artesanal Chaltén (Alazorra) é o ponto de encontro dos trilheiros.
    • Ushuaia: O Dublin Pub é um clássico pub irlandês sempre cheio.
  • Viagem com crianças: Se você está viajando com crianças, elas vão amar o Trem do Fim do Mundo, ver os pinguins e lobos-marinhos e o museu Glaciarium. Como as trilhas longas de El Chaltén podem ser cansativas, opte pelas caminhadas curtas.

Documentação obrigatória para brasileiros

Para entrar na Argentina, as regras para brasileiros são muito simples:

  1. Documento de identidade: Você precisa apenas do seu passaporte válido OU da carteira de identidade (RG) em bom estado de conservação e com menos de 10 anos de emissão.
  2. CNH não serve: Carteira de motorista (CNH) não serve como documento de entrada no país.
  3. Visto: Não precisa de visto.

Seguro Viagem é obrigatório?

Lembrando do seguro viagem: o custo médico na Argentina para turistas é cobrado e pode ser caro em clínicas privadas de qualidade, especialmente em áreas remotas de trekking. Nós nunca viajamos sem!

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Muito obrigado e uma boa viagem!

Patagônia Argentina

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