Bacari em Veneza: 8 para comer e beber barato

Se tem uma forma de comer bem, barato e do jeito que o veneziano de verdade come, é fazendo o giro de bacaro em bacaro. Esquece o restaurante caro com vista pra praça lotada de turista: o segredo de Veneza tá nesses barzinhos pequenos, de balcão, onde você toma uma taça de vinho e belisca petiscos em pé, conversando com a galera.

Quando a gente foi pela primeira vez, confesso que ficou perdido: entrava, não sabia se sentava, se pedia no balcão, como pagava. Demorou um dia pra cair a ficha de que aquilo era justamente a graça da coisa. Depois que entende a dinâmica, vira vício, e a gente saía todo fim de tarde caçando bacaro novo.

Neste guia a gente reuniu 8 bacari pra provar espalhados por Dorsoduro, Castello, Cannaregio e arredores, mais tudo que você precisa saber pra não pagar de turista: o que são cicchetti, qual o melhor horário, quanto custa e os erros que quase todo brasileiro comete na primeira vez.

O que são os bacari em Veneza?

Antes de sair entrando em qualquer porta, vale entender o termo. Você vai ver a palavra bacaro (no singular) e bacari (no plural), que é como os venezianos chamam esses bares e tabernas típicas da cidade.

O mais importante é sacar que o bacaro não funciona como um bar tradicional. Ou seja, você não entra, senta e pede um prato completo com calma. Você chega, olha o balcão, escolhe alguns cicchetti (os petiscos venezianos) e pede uma bebida pra acompanhar.

Esses petiscos ficam expostos no balcão e vão desde opções simples, como pão com embutido, até combinações mais elaboradas com frutos do mar. Dois clássicos que você precisa provar são o baccalà mantecato (creme de bacalhau servido sobre polenta ou pão) e as sarde in saor (sardinha marinada com cebola, vinagre, pinoli e uvas-passas, prato tradicional da lagoa). Tudo rápido, direto e sem formalidade nenhuma.

Gondolas em Veneza

A bebida que acompanha tem nome também: a ombra, que é o copinho de vinho da casa, tradicionalmente baratíssimo. Tem até uma história bonita por trás do nome: dizem que vem da tradição de beber vinho na sombra (ombra) do campanário de San Marco, já que os vendedores ambulantes iam se movendo conforme a sombra pra manter o vinho fresco.

Ao longo do fim da tarde, esse tipo de lugar começa a encher, porque faz parte de um hábito local. As pessoas param pra comer algo leve antes do jantar, muitas vezes passando por mais de um lugar na mesma noite. Esse movimento acontece entre 17h e 20h, que é quando os bacari ficam mais interessantes.

Outro detalhe que faz toda diferença é o preço. Em geral, cada cicchetto custa poucos euros (algo em torno de € 1 a € 3, e os mais elaborados chegando a € 4–€ 5), e a ombra costuma sair por € 1 a € 2. Dá pra provar várias coisas sem gastar quase nada, o que é uma alternativa muito mais prática (e gostosa) do que entrar em restaurante toda hora.

Veneza

Melhores bairros pra fazer rota de bacari

Antes de entrar na lista, uma dica de ouro: os bacari ficam concentrados em alguns bairros, então dá pra fazer o tal do bacari hopping (pular de bar em bar a pé) sem andar muito. Os melhores pontos são:

  • San Polo (entorno da Ponte de Rialto): um dos melhores lugares pra encontrar vários bacari num raio pequeno.
  • Cannaregio: bairro mais “vida real”, com bares autênticos e menos turísticos em algumas partes.
  • Dorsoduro: atmosfera jovem e universitária, com muitos bares ao longo dos canais.
  • Castello: mais residencial, mas com bacari interessantes longe do óbvio.

Como o passeio pelos bacari combina muito com explorar as atrações de Veneza no meio do caminho, vale já garantir os ingressos com antecedência. A gente usa esse site que a gente sempre usa em todas as viagens pra comprar tudo: ingressos de museus, igrejas e até passeios guiados. O legal é que o pagamento já é em reais, então você não paga IOF, dá pra parcelar e ainda tem cancelamento gratuito. Comprando com antecedência sai mais barato e você não corre o risco de pegar fila ou achar tudo esgotado, sem falar nos free tours, que são ótimos.

1. Caffè Rosso (Dorsoduro)

A gente começa a lista pela região de Campo Santa Margherita, em Dorsoduro, uma praça onde o movimento acontece de forma mais espalhada. É ali que fica o Caffè Rosso, que foge um pouco do formato clássico de balcão apertado.

O espaço é mais aberto, com mesas na praça, então muita gente usa como ponto de encontro no fim do dia. É um clássico de estudantes e jovens venezianos. Conforme o horário avança, principalmente depois das 17h, o ambiente muda bastante e fica mais cheio.

Aqui você pode ir com calma: sentar, pedir um spritz (que costuma sair por uns € 2 a € 3 no balcão), observar o movimento e só depois pensar em comer algo. Isso ajuda muito se for seu primeiro contato com esse tipo de experiência. Ele abre cedo, ainda pela manhã, mas o momento mais bacana é mesmo no fim da tarde, quando a praça fica animada.

Caffè Rosso em Veneza

2. Bacaro Risorto Castello

Caminhando em direção à área de Castello, perto do Campo San Provolo, o cenário começa a mudar. As ruas estreitas dão espaço pro Bacaro Risorto, onde o balcão chama atenção logo na entrada, cheio de cicchetti expostos.

É uma ótima pedida pra quem quer sair do eixo Rialto–San Marco e combina bem com um passeio pela Riva degli Schiavoni e pelo Arsenale. O custo-benefício é excelente, com os cicchetti na faixa de poucos euros cada.

O movimento aumenta ao longo da tarde e segue pela noite, já que o bar funciona até mais tarde. Isso permite encaixar a visita em diferentes momentos do dia, mas o horário mais interessante continua sendo aquele período antes do jantar.

Bacaro Risorto Castello

3. Il Paradiso Perduto (Cannaregio)

Quando você chega em Cannaregio, na Fondamenta della Misericordia, a sensação já é outra. As ruas são mais abertas e o espaço muda, e isso aparece bem no Il Paradiso Perduto, que é meio bacaro, meio osteria boêmia.

Diferente dos outros, ele não te força a decidir rápido. Há espaço, mesas à beira do canal e até música ao vivo em algumas noites (entre maio e setembro costuma rolar happy hour com música). Em vez de uma parada rápida, você pode acabar ficando mais tempo do que planejava.

Ele é famoso pelos pratos de frutos do mar bem servidos e pela atmosfera de festa. Abre no começo da noite e segue até tarde, encaixando tanto como parada no meio do giro quanto como um jantar mais longo. Atenção: ele costuma fechar nos meses mais frios (em geral dezembro e janeiro), então confere o horário antes de ir.

Il Paradiso Perduto

4. Arcicchetti Bakaro (Santa Croce)

Voltando pra um formato mais direto, o Arcicchetti Bakaro aparece como um daqueles lugares que rapidamente chamam atenção pela movimentação.

Ele fica perto da área de Santa Croce, num ponto que facilita encaixar no caminho, principalmente pra quem está chegando ou saindo da estação. Isso explica por que o fluxo é alto em boa parte do dia.

O destaque ali não está só na variedade, mas no tamanho dos cicchetti. Em comparação com outros bacari, as porções são mais generosas, o que muda a forma de pedir: em vez de vários pequenos, às vezes dois pedidos já resolvem. À tarde já tem movimento, mas é no fim do dia que fica mais cheio, e aí encontrar espaço pode exigir um pouco de paciência.

Arcicchetti Bakaro

5. El Chioschetto (Dorsoduro)

De volta a Dorsoduro, perto do canal, aparece um tipo de lugar que muita gente passa sem perceber, mas que funciona muito bem quando você entende a proposta. O El Chioschetto é pequeno, direto e sem escolha complicada.

Aqui o foco não está na variedade de comida, e sim em pedir algo pra beber, normalmente um spritz ou uma taça de vinho, e aproveitar o entorno. Como fica próximo à água, muita gente pega a bebida e fica ali por perto, sem se preocupar com mesa ou ficar muito tempo.

Durante o dia ele passa mais despercebido, mas conforme o fim da tarde chega, começa a ganhar movimento. Não é aquele lugar que lota de uma vez: você percebe aos poucos as pessoas se reunindo à beira do canal. É um dos nossos preferidos pra pegar o pôr do sol com uma ombra na mão.

Al Chioschetto

6. Terrazza Aperol (San Marco)

Ao se aproximar da Praça de São Marcos, o cenário muda bastante, e isso aparece claramente na Terrazza Aperol.

Ali não existe aquela dinâmica de balcão rápido. O espaço é organizado, com mesas e atendimento mais estruturado. A proposta é outra: você sobe, escolhe um lugar e fica por lá um tempo maior, principalmente pela vista privilegiada da praça.

O horário mais disputado é o fim da tarde, quando a luz começa a mudar e o movimento aumenta. A dica da gente é chegar um pouco antes pra evitar a espera. Vale lembrar que o preço acompanha a localização, então esse não é o lugar pra repetir várias rodadas como em outros bacari. Funciona melhor como uma parada pontual, mais pela vista do que pelo bolso.

Terrazza Aperol

7. Harry’s Bar (San Marco)

Em direção ao Grande Canal, o Harry’s Bar aparece como uma opção bem diferente dos bacari. A fama vem da história: ele ficou conhecido por receber nomes como o escritor Ernest Hemingway e por ter criado o drink Bellini.

Quando você entra, a mudança é clara. O ambiente é pequeno, elegante e com serviço completo, ou seja, você senta, é atendido na mesa e fica ali por mais tempo. Não tem aquela dinâmica de entrar, comer rápido e sair.

Os horários seguem essa proposta mais tradicional, funcionando tanto no almoço quanto no jantar, então ele não faz parte do circuito típico de fim de tarde dos bacari. O preço é bem mais alto que a média da cidade, então vale incluir no roteiro mais pela experiência e pela história do lugar do que como parada habitual pra comer.

Harry

8. Vino Vero (Cannaregio)

De volta pra Cannaregio, longe do fluxo maior, o ambiente muda de novo. É ali que fica o Vino Vero, que traz uma proposta mais atual dentro da ideia dos bacari.

O destaque está nos vinhos naturais, algo que nem todos os lugares trabalham. Isso já muda a escolha: você pode explorar rótulos diferentes em vez de ficar no básico. A taça costuma sair na faixa de € 4 a € 7 dependendo do vinho, e os cicchetti aqui são mais cuidados, bem na pegada gourmet.

O balcão continua presente, com cicchetti disponíveis, mas o espaço é um pouco mais calmo. As pessoas chegam, pedem, conversam e permanecem mais do que em bares muito movimentados. É a pedida certa pra quem curte vinho e quer algo um pouco mais refinado, mas sem perder a alma de bacaro.

Vino Vero

Como montar uma noite de bacari

A graça do bacari hopping é justamente não ficar parado num lugar só. A lógica é simples: em cada bacaro você pede 1 taça e 2 cicchetti, come rápido em pé e segue pro próximo. Repetindo isso em 3 ou 4 lugares da mesma região, você janta bem gastando pouco e ainda conhece um monte de cantos diferentes.

Como os bairros concentram vários bacari pertinho, dá pra fazer roteiros andando. Duas sugestões que funcionam bem:

  • Em Dorsoduro: comece nas redondezas do canal, passe pelo El Chioschetto pegando o pôr do sol e termine no Caffè Rosso, no Campo Santa Margherita, quando a praça já estiver animada.
  • Em Cannaregio: Vino Vero pra abrir com um bom vinho natural e finaliza no Il Paradiso Perduto, que estica a noite com mesa e música ao vivo.

O melhor horário pra tudo isso é o fim de tarde, entre 17h e 20h, que é quando os venezianos fazem o aperitivo. Evite o meio-dia nas áreas turísticas (Rialto e San Marco), que ficam absurdamente lotadas.

Erros comuns de brasileiro em bacaro

A gente errou em alguns desses na primeira viagem, então aqui vão os deslizes mais comuns pra você não passar perrengue:

  • Querer jantar sentado como num restaurante. A maioria dos bacari é focada em petisco rápido, em pé. Pensa neles como um “boteco de tapas”, não como restaurante com garçom e mesa.
  • Pedir nas mesas sem saber da sobretaxa. Comer no balcão sai mais barato. Sentar nas mesas às vezes tem cobrança de serviço (a tal coperto).
  • Chegar tarde demais. Depois das 21h, em muitos bacari os melhores cicchetti já acabaram. Chega mais no início da noite pra pegar variedade fresca.
  • Cair no “menu turístico”. Perto dos pontos turísticos, alguns lugares empurram menu pronto mais caro. O bacaro é barato justamente por ser à la carte no balcão.
  • Esperar serviço e gorjeta como no Brasil. Você pede, paga e leva no balcão. Gorjeta não é obrigatória, mas arredondar a conta quando o atendimento é bom é sempre bem-vindo.
  • Levar grupo grande. Muitos bacari são minúsculos. Divide o grupo ou combina de encontrar do lado de fora.

Ah, e leva alguns euros em dinheiro: cartão é aceito na maioria, mas vários lugares pequenos ainda preferem espécie.

Melhor época do ano pra aproveitar os bacari

Dá pra fazer o giro de bacaro em qualquer época, mas algumas estações rendem mais:

  • Primavera (abril a junho): clima agradável e dias longos, perfeito pra ficar nas mesas externas e à beira de canal.
  • Outono (setembro a outubro): menos calor, ainda clima bom e cidade menos cheia do que em agosto.
  • Verão (julho a agosto): mais calor e mais turistas, bacari lotados, mas com atmosfera animada, sobretudo em Cannaregio. É quando rolam mais eventos ao ar livre e festas com música ao vivo.
  • Inverno (dezembro a fevereiro): alguns bares reduzem o horário ou fecham nos meses mais frios. O Il Paradiso Perduto, por exemplo, costuma fechar em dezembro e janeiro, então confere antes de ir.

Vale a pena ter o Venice City Pass?

Depois de entender como funcionam os bacari e montar esse roteiro mais solto pela cidade, surge uma dúvida comum: faz sentido investir em algum passe turístico em Veneza?

A resposta depende muito do seu estilo e do tempo de viagem. O Venice City Pass funciona como um pacote que já inclui várias atrações e, em alguns casos, transporte. A ideia é facilitar o planejamento e evitar comprar tudo separado ao longo dos dias.

Ele pode incluir entradas pra pontos importantes, como museus e igrejas, além de algumas experiências guiadas. Ajuda bastante quem quer seguir um roteiro mais organizado e já deixar tudo resolvido antes de embarcar.

Vaporetto em Veneza

Pra aproveitar bem o circuito de bacari, ficar perto de Cannaregio ou do centro histórico te poupa táxi (ou melhor, vaporetto) à noite e deixa tudo a uma caminhada. Olha aqui onde se hospedar em Veneza:

Onde ficamos em Veneza (e 3 hotéis bons e baratos!)

Isso fez toda a diferença em nossas viagens! A melhor região para se hospedar em Veneza é no centro da cidade. Lá, você estará próximo a muitos pontos turísticos, como a Piazza San Marco e a Ponte Rialto, podendo conhecê-los a pé.

Se quiser, é só clicar aqui em mapa, que abrirá esse mapa personalizado que a gente criou, com a melhor região. Quando abrir, feche o mapa, coloque a data da sua viagem, clique em pesquisar e depois em ‘mostrar mapa’ de novo pra ver os hotéis com os preços já naquela região.

Mapa personalizado dos melhores hotéis em Veneza

Estratégia pra economizar bem com o hotel: a antecedência é o que faz você pagar mais barato, sempre. Nesse site do mapa e nos hotéis abaixo, a maioria tem cancelamento gratuito. Reserve o quanto antes pra garantir um preço bem menor — se precisar cancelar, não paga nada.

HOTEL BEM BARATO: O mais barato que a gente achou e foi ótimo. Faz tudo a pé.

HOTEL MUITO BOM: Um pouco melhor e na mesma região central. Amamos.

HOTEL TOP: Nosso favorito: localização excelente, conforto e charme.

Perguntas frequentes sobre bacari em Veneza

O que são bacari e cicchetti?

Bacari são os bares tradicionais de Veneza onde os locais tomam uma ombra (taça de vinho) e comem cicchetti, que são os petiscos venezianos servidos no balcão, tipo fatias de pão com cobertura, bolinhos e frutos do mar. É a forma mais autêntica e barata de comer na cidade.

Quanto custa comer num bacaro?

É bem em conta. Cada cicchetto custa em torno de € 1 a € 3 (os mais elaborados chegam a € 4–€ 5) e a ombra de vinho da casa sai por € 1 a € 2. Com 2 ou 3 cicchetti e uma bebida em cada lugar, dá pra fazer uma noite inteira gastando pouco.

Qual o melhor horário pra ir aos bacari?

O ideal é o fim de tarde, entre 17h e 20h, que é quando os venezianos fazem o aperitivo e os bacari ficam mais animados. Evite ir muito tarde (depois das 21h), porque os melhores cicchetti costumam acabar.

Precisa reservar mesa em bacaro?

Na maioria não, porque o consumo é em pé, no balcão. Em lugares com estrutura maior, como Il Paradiso Perduto ou Harry’s Bar, vale chegar cedo ou reservar se for jantar com calma.

Dá pra pagar com cartão nos bacari?

Na maioria sim, mas muitos lugares pequenos ainda preferem dinheiro. O ideal é levar alguns euros em espécie pra não passar perrengue, principalmente nos endereços mais tradicionais.

Qual bairro é melhor pra fazer rota de bacari?

Cannaregio e Dorsoduro são os mais autênticos e concentram vários bacari pertinho um do outro, perfeitos pra fazer o giro a pé. O entorno da Ponte de Rialto, em San Polo, também tem boa concentração.

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No fim das contas, fazer o giro de bacaro em bacaro foi uma das coisas que a gente mais gostou em Veneza, mais até do que muito restaurante caro de beira de canal. Pega umas notinhas de euro, escolhe um bairro, prova um cicchetto atrás do outro e brinda com uma ombra: é Veneza do jeito que o veneziano vive. Buon appetito!