Como ir de Santiago a Buenos Aires: o guia completo

Sair de Santiago e terminar a viagem em Buenos Aires é um dos roteiros mais queridos de quem viaja pela América do Sul. Em poucos dias dá pra sair de uma capital encravada entre a cordilheira e o Pacífico, atravessar os Andes e chegar na cidade do tango. É troca de país, de cultura, de gastronomia e de paisagem numa tacada só.

Quando a gente fez esse trajeto pela primeira vez, o que mais surpreendeu foi como cada opção tem uma vibe diferente: o avião resolve em duas horas, o carro vira uma aventura cênica pelos Andes e o ônibus é a alternativa pé no chão pra quem quer economizar. Por isso a gente vai te mostrar as três e os prós e contras de cada uma.

E olha, se você está montando essa viagem combinando os dois países, dá uma olhada também no nosso conteúdo de como planejar uma viagem a Santiago e no de como viajar barato para Buenos Aires, pra fechar tudo pagando mais barato.

Distância entre Santiago e Buenos Aires

Antes de entrar nas dicas, vale entender a distância. Em linha reta, considerando o trajeto pelo ar, são cerca de 1.400 km entre as duas capitais. Já por terra, esse número sobe pra algo entre 1.500 e 1.600 km, dependendo da rota que você escolher.

Apesar de parecer longe, muita gente faz essa viagem justamente pela experiência completa: você conhece a fundo as duas culturas, sente as diferenças na comida, no estilo de vida e nas paisagens. É um daqueles roteiros que rendem demais.

Mapa da distância entre Santiago e Buenos Aires

Outra curiosidade boa: pra brasileiro, dá pra fazer todo o trajeto sem passaporte, só com o RG, graças aos acordos do Mercosul. Em uma única viagem você vê montanha andina de alta altitude, a região semiárida de Mendoza com seus vinhedos e, no fim, a planície e a metrópole de Buenos Aires à beira do Rio da Prata.

As três formas de ir de Santiago a Buenos Aires

Existem três jeitos principais de fazer esse trajeto, cada um com seu perfil: o avião (mais rápido e prático), o carro (mais liberdade e paisagem) e o ônibus (mais barato, porém o mais demorado). Bora destrinchar cada um.

De avião: o jeito mais rápido

Sem dúvida, a forma mais rápida e fácil de ir de Santiago a Buenos Aires é de avião. Os voos diretos levam em média 2 horas, então você embarca tranquilo e em pouco tempo já está pisando na Argentina.

Você sai do Aeroporto Internacional de Santiago (SCL) e pode desembarcar em dois aeroportos de Buenos Aires: o Aeroporto Internacional de Ezeiza (EZE), a principal porta de entrada internacional, ou o Aeroparque Jorge Newbery (AEP), que fica bem mais perto do centro.

Uma dica que vale ouro: se você vai ficar em áreas centrais como Recoleta, Palermo ou Centro, prefira chegar pelo Aeroparque (AEP). A gente já viu gente comprar passagem pra Ezeiza achando que era pertinho e depois se surpreender com o tempo e o custo do transfer até o centro. Repare nisso na hora de comprar.

Voos diretos costumam ser operados por companhias como LATAM, Sky Airline e JetSMART, além de rotas pontuais de outras empresas. A frequência muda conforme a temporada, então vale sempre conferir nas buscadoras.

Aeroporto Internacional de Ezeiza em Buenos Aires

Quanto custa e como comprar a passagem

Os valores variam bastante conforme a época do ano, a antecedência da compra, o aeroporto de chegada (EZE ou AEP) e as promoções das low cost. Em promoções bem agressivas, dá pra achar trechos a partir de algo em torno de R$ 300 a R$ 500. Fora de promoção, o mais comum é ficar na faixa de R$ 700 a R$ 1.500 por trecho, dependendo da antecedência e da mala.

Pra encontrar os melhores preços, a recomendação universal é começar a pesquisar com a maior antecedência possível e usar um bom comparador, que busca em várias companhias de uma vez só. A gente usa o esse comparador de passagens e gostamos demais: é um dos mais confiáveis e conhecidos do Brasil e facilita muito achar as melhores tarifas. Vale comparar também os preços chegando por EZE e por AEP, porque às vezes a diferença é grande.

Outra coisa que a gente errou no começo: tentar voar em janeiro, fevereiro ou julho, que são alta temporada (férias escolares e gente indo pra neve), e levar um susto no preço. Se der pra fugir desses meses e dos feriadões, você economiza bastante. E às vezes voos com uma escala saem mais em conta do que os diretos, então vale comparar.

Passaporte e passagem aérea

De carro: o roteiro cênico pelos Andes

Alugar um carro pra ir de Santiago a Buenos Aires é uma baita escolha pra quem quer viajar com liberdade e curtir a paisagem. Com o carro você decide quantas paradas faz, onde dorme e em que ritmo segue. E, se você vai em grupo ou com a família, costuma ser a opção mais econômica, porque dá pra dividir os custos.

Como o trajeto é todo de estrada e atravessa fronteira e cordilheira, a dica de ouro é usar um bom comparador pra alugar o carro pelo melhor preço. A gente usa esse comparador de carros, que compara o preço em todas as principais locadoras de uma vez e costuma achar valores mais baratos do que ir direto no site das locadoras.

A grande vantagem é que o pagamento é em reais, então você não paga IOF e pode parcelar em até 12x. O atendimento é 24h e em português, e tem nota excelente no ReclameAqui. Usa o cupom GRUPODICAS pra ganhar desconto e acessar promoções já aplicadas na tarifa. A gente também sempre pega a proteção RentalCover, que cobre pneus, vidros, perda de chaves, assistência na estrada e motoristas adicionais, itens que normalmente ficam de fora do seguro básico. E prefira sempre as grandes locadoras, como Alamo, Avis, Europcar, Sixt, Thrifty, Dollar e Budget, pra evitar dor de cabeça.

Existe também esse outro comparador, que é ótimo e tem catálogo enorme por ser o maior do mundo, mas o pagamento é em dólar (ou na moeda do destino), então tem que calcular o IOF e não dá pra parcelar. Como ele também acha bons preços, vale pesquisar nos dois e ver qual fica melhor pra você.

Rodovia Los Libertadores em Santiago

Qual rota seguir de carro?

Saindo de Santiago, a viagem começa pela Ruta 60, conhecida como Rodovia Los Libertadores. Ela te leva até o Paso Los Libertadores, na fronteira entre os dois países. A estrada é linda, com vistas surpreendentes das montanhas, mas tem muitas curvas sinuosas, então é preciso atenção redobrada ao dirigir. Tem inclusive um trecho de curvas famoso, os Los Caracoles, que rende fotos incríveis da estrada desenhada na montanha.

Chegando na fronteira, você apresenta os documentos de identificação de todo mundo no carro (pra brasileiro, só o RG já basta, desde que esteja em bom estado e com menos de 10 anos de emissão). Também é preciso ter os documentos do veículo e o seguro internacional obrigatório (Carta Verde) pra circular na Argentina. Feito o controle de imigração e aduana, já na Argentina é só seguir pela Ruta Nacional 7.

Em algumas horas você chega em Mendoza, que é o melhor lugar pra quebrar a viagem. Muita gente passa um dia completo por lá pra descansar e conhecer os pontos turísticos. Se for o seu caso, não deixe de comprar o passe do Bus Vitivinícola, que te leva até as famosas vinícolas de Malbec da cidade. Vale demais brindar com um bom vinho antes de seguir.

Depois de Mendoza, você continua pela Ruta Nacional 7. Esse trecho final é de cerca de 1.050 km, com 11 a 12 horas de direção. O trajeto total, desde Santiago, fica em torno de 1.400 a 1.600 km e leva entre 16 e 20 horas, dependendo das paradas e do trânsito na fronteira.

Fronteira do Chile com a Argentina

Cuidados na estrada e custos

A Rodovia Los Libertadores tem trechos de serra com curvas em caracoles, e no inverno pode ter neve e gelo na pista. Em casos de tempestade de neve, o Paso Los Libertadores chega a fechar por horas ou dias. A recomendação é checar as condições do passo no dia anterior e na manhã da viagem, nos sites oficiais de trânsito do Chile e da Argentina, e evitar dirigir à noite, principalmente na parte da serra.

Em termos de custo, varia muito com o tipo de carro, número de pessoas e preço do combustível nos dois países. Em faixas amplas, dá pra contar com algo em torno de R$ 500 a R$ 900 de combustível na ida, mais uns R$ 100 a R$ 200 de pedágios e o valor diário da Carta Verde, que costuma ser baixo (algumas dezenas de reais por dia), mas é obrigatório.

De ônibus: a opção mais econômica

Pra fechar as opções, vamos falar do ônibus. Várias empresas fazem o trajeto Santiago–Buenos Aires, entre elas a Cata Internacional e a Andesmar, e a viagem dura cerca de 23 horas.

É uma viagem longa e cansativa, sem dúvida, mas a grande vantagem é o preço, que costuma ser o mais baixo entre as três opções (quando não tem promoção de low cost no ar). Uma referência de preço aponta algo em torno de 103.000 pesos chilenos pelo trecho, o que dá mais ou menos R$ 550 a R$ 800 dependendo do câmbio. Vale conferir o valor atualizado direto nos sites das empresas.

Os ônibus de categoria semi-cama ou cama oferecem assentos reclináveis, banheiro a bordo e serviço de bordo básico. Só não espere uma cama totalmente plana de classe executiva de avião, mas costuma ser bem mais confortável que ônibus convencional brasileiro. Outra vantagem é que dá pra comprar sem muita antecedência, já que tem boa rotatividade de horários.

Ônibus Andesmar

Melhor época para fazer o trajeto

De avião, voar entre Santiago e Buenos Aires é viável o ano inteiro. Só fique de olho na alta temporada (janeiro, fevereiro e julho), quando os preços sobem e os aeroportos lotam.

Já de carro ou de ônibus pela cordilheira, a melhor janela é entre outubro e abril, quando há menos risco de neve nas estradas e os dias são mais longos, favorecendo a viagem diurna. No inverno (junho a agosto), o Paso Los Libertadores pode fechar por neve, atrasando ou até cancelando a viagem por terra. Se o seu foco é justamente ver neve, tudo bem, mas tenha flexibilidade de datas.

Documentos, dinheiro e fronteira

Pra entrar no Chile e na Argentina, brasileiro precisa apenas de RG (em bom estado e com menos de 10 anos) ou passaporte válido, sem necessidade de visto pra turismo de curta duração. Quem dirige usa a carteira de motorista brasileira, leva os documentos do veículo e a Carta Verde pro trecho na Argentina.

Na aduana é comum a fiscalização de alimentos frescos, produtos de origem animal e vegetal. Evite levar frutas, sanduíches e derivados de animais na bagagem, porque costumam ser confiscados na fronteira. E tenha à mão (impresso ou no celular) os vouchers de reserva, o telefone da locadora e os dados do seguro.

Sobre dinheiro, vale levar uma combinação de cartão internacional e dinheiro em espécie (peso chileno e peso argentino). O câmbio no aeroporto de Santiago costuma não ser o mais vantajoso, então quem vai trocar quantias maiores geralmente busca casas de câmbio em áreas centrais da cidade.

Erros comuns que dá pra evitar

  • Subestimar o tempo de estrada: muita gente acha que é um pulinho e tenta fazer tudo de carro em um dia só, sem parar. É cansativo e perigoso. Programe pelo menos uma pernoite em Mendoza.
  • Ignorar o clima nos Andes: viajar no inverno sem checar as condições do passo é pedir pra ficar preso na fronteira.
  • Esquecer a Carta Verde: muita gente aluga carro e só descobre a exigência do seguro internacional na hora de cruzar pra Argentina.
  • Levar alimentos proibidos: frutas e comida fresca costumam ser apreendidas na fronteira.
  • Chegar em cima da hora no aeroporto: voo internacional pede chegada com 2 a 3 horas de antecedência, e na alta temporada o check-in e a imigração demoram.
  • Não conferir o aeroporto em Buenos Aires: comprar pra Ezeiza achando que é tão perto quanto o Aeroparque e depois penar com o transfer.

Afinal, qual é a melhor maneira?

Cada viajante tem sua intenção, então não dá pra cravar uma resposta única. Mas, na nossa opinião, pra maioria das pessoas a melhor opção é ir de avião. Além da rapidez, você não encara as longas estradas de serra, que podem ser perigosas em períodos de chuva e neve. E, comprando com antecedência e usando o comparador que indicamos, dá pra achar passagens com preços excelentes.

Agora, se a sua viagem é justamente sobre a experiência (paisagem dos Andes, parada nas vinícolas de Mendoza, liberdade de parar onde quiser), aí o carro vale demais. E o ônibus fica como a alternativa mais em conta pra quem prioriza economia e não se importa com as horas a mais.

Avião

Antes de fechar tudo, vale lembrar de dois itens que são indispensáveis pra qualquer viagem ao Chile: o seguro viagem e o chip de celular. A gente sempre compra esse comparador de seguros, que já vem com 18% de desconto exclusivo pra gente, porque atendimento médico no exterior sai caro e não dá pra arriscar. E pra ficar conectado o tempo todo, sem pagar fortuna em roaming, a gente usa esse chip de viagem.

Como você vai começar (ou terminar) essa viagem em Santiago, ficar bem localizado na cidade faz diferença pra render mais o passeio e gastar menos com transporte. Olha aqui a melhor região pra se hospedar em Santiago:

Onde ficamos em Santiago do Chile (e 3 hotéis bons e baratos!)

Isso fez toda a diferença em nossas viagens! Existem duas regiões que são as melhores para os turistas em Santiago. Uma é Providencia, ideal para quem quer ficar perto de áreas movimentadas, com muitos bares, restaurantes e lojas. A outra é o Centro Histórico, que é o coração cultural e histórico da cidade. Essa região é cheia de hotéis, museus, e restaurantes, além de oferecer preços geralmente mais baixos que os de Providencia.

Se quiser, é só clicar aqui em mapa, que abrirá esse mapa personalizado que a gente criou, com a melhor região. Quando abrir, feche o mapa, coloque a data da sua viagem, clique em pesquisar e depois em ‘mostrar mapa’ de novo pra ver os hotéis com os preços já naquela região.

Estratégia pra economizar bem com o hotel: a antecedência é o que faz você pagar mais barato, sempre. Nesse site do mapa e nos hotéis abaixo, a maioria tem cancelamento gratuito. Reserve o quanto antes pra garantir um preço bem menor — se precisar cancelar, não paga nada.

HOTEL BEM BARATO: O mais barato que a gente achou e foi ótimo. Faz tudo a pé.

HOTEL MUITO BOM: Um pouco melhor e na mesma região central. Amamos.

HOTEL TOP: Nosso favorito: localização excelente, conforto e charme.

Perguntas frequentes sobre ir de Santiago a Buenos Aires

Quanto tempo leva pra ir de Santiago a Buenos Aires?

De avião, o voo direto leva cerca de 2 horas. De carro, o trajeto fica entre 16 e 20 horas, dependendo das paradas e da fronteira. De ônibus, são cerca de 23 horas de viagem.

Qual a melhor forma de ir de Santiago a Buenos Aires?

Pra maioria das pessoas, o avião é o melhor: rápido, prático e sem encarar as estradas de serra. O carro é ideal pra quem quer a experiência cênica dos Andes e parar em Mendoza, e o ônibus é a opção mais barata.

Precisa de passaporte pra ir de Santiago a Buenos Aires?

Não. Pra brasileiros, basta o RG em bom estado e com menos de 10 anos de emissão, graças aos acordos do Mercosul. O passaporte válido também serve.

Dá pra ir de carro de Santiago a Buenos Aires?

Sim. Você sai pela Rodovia Los Libertadores, cruza o Paso Los Libertadores na fronteira e segue pela Ruta Nacional 7 até Mendoza e depois Buenos Aires. É preciso ter o seguro internacional obrigatório (Carta Verde) pra circular na Argentina.

Em qual aeroporto de Buenos Aires é melhor desembarcar?

Se você vai ficar em áreas centrais como Recoleta, Palermo ou Centro, o Aeroparque Jorge Newbery (AEP) é mais prático, porque fica bem mais perto do centro que Ezeiza (EZE).

Qual a melhor época para cruzar os Andes por terra?

Entre outubro e abril, quando há menos risco de neve fechando o Paso Los Libertadores e os dias são mais longos. No inverno, o passo pode fechar por tempestades de neve.

Quanto custa a passagem de Santiago a Buenos Aires?

Em promoção, dá pra achar trechos a partir de algo em torno de R$ 300 a R$ 500. Fora de promoção, o mais comum é ficar entre R$ 700 e R$ 1.500 por trecho, dependendo da antecedência e da mala.

Economize ao máximo na sua viagem a Santiago e ao Chile

No fim das contas, combinar Santiago e Buenos Aires na mesma viagem é uma das experiências mais ricas que a América do Sul oferece. Escolha a forma que mais combina com o seu estilo, planeje com antecedência e aproveite cada trecho. A gente faria tudo de novo, só que reservando mais um diazinho em Mendoza pra brindar com Malbec sem pressa.