Roteiro de Buenos Aires e Salta (8 dias)

Bora montar um roteiro de viagem em Buenos Aires e Salta que combina a Argentina cosmopolita com o norte andino mais selvagem? Aqui a gente reuniu o passo a passo dia a dia, com os atrativos imperdíveis das duas cidades e tudo pra você planejar sem perder tempo nem dinheiro.

A gente montou um roteiro de 8 dias (4 em Buenos Aires e 3 em Salta, mais o dia de deslocamento), mas você pode adaptar essas dicas pro tempo que tiver. Quando a gente fez essa combinação pela primeira vez, o que mais surpreendeu foi o contraste: sai da cidade grande, do tango e das parrillas e, duas horinhas de voo depois, tá no meio dos Andes tomando vinho de altitude. É outra Argentina.

E não esquece: aqui no nosso guia completo de Buenos Aires a gente reuniu tudo pra montar a viagem inteira pagando mais barato — hotel, transporte, seguro, comida, chip e ingressos.

Antes de começar o planejamento, separa esses três pontos que fazem diferença:

Quando ir a Buenos Aires e Salta

Como o norte argentino (Salta e Jujuy) fica bem quente e chuvoso no auge do verão, a melhor pedida pra essa combinação é o outono (março a maio) ou a primavera (setembro a novembro). Nessas épocas, tanto Buenos Aires quanto Salta têm clima mais ameno, menos chuva e dias ótimos pra caminhar.

No verão (dezembro a fevereiro), Buenos Aires pode ficar bem quente e abafada, com sensação acima de 30 °C — mas em janeiro a cidade esvazia (os portenhos viajam) e o trânsito fica mais tranquilo. Já o inverno (junho a agosto) traz frio seco, com temperaturas em torno de 5 a 15 °C, ótimo pra quem curte café e vinho sem calor, mas com dias mais curtos.

Uma coisa que a gente errou na primeira vez: foi achando que o frio de julho era leve. Não é — o vento gelado pega de jeito. Se for no inverno, leve roupa de verdade.

Dia 1 em Buenos Aires: centro histórico, Recoleta e tango

Pro seu primeiro dia de roteiro em Buenos Aires, a gente dividiu manhã, tarde e noite assim:

Manhã: acorda cedinho, toma um café reforçado e segue pra Plaza de Mayo. É um dos principais pontos turísticos da cidade, então é parada obrigatória. Lá você conhece a Casa Rosada (aquela casa rosa que todo mundo tira foto), a Catedral Metropolitana (com arquitetura belíssima), o Museu Bicentenário e o Cabildo (Museu Histórico Nacional). Aproveita e almoça num dos restaurantes da área.

Catedral Metropolitana de Buenos Aires

Tarde: reserve umas 3 ou 4 horas pra explorar o bairro Recoleta, que concentra atrações lindas. É lá que fica o Cemitério da Recoleta (com o túmulo da Evita e uma arquitetura funerária impressionante), o Museu Nacional de Belas Artes e a Floralis Genérica — uma flor gigante de aço e alumínio que abre as pétalas de dia e fecha à noite, reagindo à luz do sol. Faz um lanche num dos cafés charmosos do bairro.

Cemitério de Recoleta em Buenos Aires

Noite: pra fechar o dia, siga a tradição argentina e vá assistir a um show de tango numa das casas tradicionais da capital. As mais famosas são: Café Esquina Homero Manzi, Café Tortoni, El Viejo Almacén, Señor Tango e Madero Tango. O show com jantar costuma custar em torno de R$ 250 a R$ 500 por pessoa, dependendo da casa — só o show, sem jantar, sai mais barato. Uma dica: essas casas lotam, então não deixe pra decidir em cima da hora.

Café Tortoni em Buenos Aires

Onde comprar os ingressos de Buenos Aires e da Argentina

Vamos te dar várias dicas de como economizar muito na compra dos ingressos e passeios. Vai sair realmente mais barato!

Dica da antecedência: comprar antes, pela internet, é sempre mais barato. Nas bilheterias, além de ser mais caro, o ingresso pode já ter esgotado pro dia que você quer — e você ainda perde um tempo precioso na fila.

Dica do IOF: se comprar no site oficial das atrações, é uma compra na moeda do outro país. Você paga o IOF e não consegue parcelar. Procure sites que já têm pagamento em reais.

Um site que a gente usa muito em todas as viagens é esse aqui. É um dos maiores do mundo e tem todos os ingressos e passeios por lá. Já é um dos lugares mais baratos, mas a maior vantagem é que você paga em reais (evitando o IOF) e pode parcelar. Outras vantagens:

  • Free tours: oferece tours gratuitos na maioria das cidades turísticas. Você só paga uma gorjeta pro guia no final do passeio.
  • Cancelamento gratuito: dá pra cancelar o ingresso sem custo nenhum.
  • Transfer: lá você encontra também o transfer do aeroporto até o hotel. Às vezes sai mais barato que táxi, você já paga adiantado (o que evita golpe de taxista com turista), o motorista já sabe seu destino e te espera com uma placa com seu nome na saída do desembarque. Muito fácil e seguro pra chegar sem perrengue.
  • Atendimento em português: dão suporte 24h e em português, caso precise.

Vale muito reservar o tango, o tour à La Bombonera e o passeio ao Tigre por lá, com antecedência — os mais procurados esgotam.

Dia 2 em Buenos Aires: Obelisco, 9 de Julio e Palermo

Chegamos ao segundo dia. As dicas são:

Manhã: logo cedo, vá ao famoso Obelisco, na Avenida 9 de Julio — uma das mais largas do mundo. Os dois são bem turísticos, então prepara a câmera pra muitas fotos. Depois do passeio, almoce no Oviedo, que fica nas proximidades e é conhecido pelos pratos à base de frutos do mar.

Obelisco em Buenos Aires

Tarde: depois de uma manhã agradável, siga pro bairro Palermo. Nessa região fica o Hipódromo de Palermo (com corridas de cavalo, área comercial e gastronomia), o MALBA – Museu de Arte Latino-americana e o belíssimo Jardim Japonês, ótimo pra relaxar e fazer um piquenique no fim do dia.

Jardim Japonês em Buenos Aires

Noite: pra segunda noite, veja a disposição e escolha entre os restaurantes de Palermo ou Puerto Madero (caso queira algo mais tranquilo e sofisticado, com vista pro rio), os bares e pubs (se quiser petiscar e beber algo) ou as animadíssimas baladas da cidade. Um jantar num restaurante médio costuma sair em torno de R$ 80 a R$ 150 por pessoa, sem vinhos muito caros.

Dia 3 em Buenos Aires: La Boca e San Telmo

O terceiro dia vai ser especial. Prepare-se pra:

Manhã: que tal conhecer a casa do Boca Juniors? A gente fala do estádio La Bombonera, no bairro La Boca, perfeito em estrutura e que recebe os turistas num tour guiado com museu e arquibancadas. Aproveita pra caminhar pela rua Caminito, com suas casinhas coloridas — rende as fotos mais icônicas da cidade.

La Bombonera em Buenos Aires

Tarde: depois do passeio esportivo, siga pro bairro San Telmo. Ele abriga a Feira de San Telmo — ótima pra comprar lembrancinhas, antiguidades e souvenirs. Atenção: a feira mais famosa acontece aos domingos, com músicos e dançarinos de tango na rua. Se você for em outro dia, perde a experiência completa, então tente encaixar o domingo aqui. A área ainda tem casas coloniais lindas pra fotos e vários cafés históricos.

Feira de San Telmo em Buenos Aires

Noite: como San Telmo é bem boêmio, vale ficar desde a tarde por lá e curtir a vida noturna nos bares ou restaurantes. Se o voo pra Salta for cedo no dia seguinte, jante mais cedo e volte pra dormir.

Dia 4 em Buenos Aires: Tigre, compras e Teatro Colón

Chegamos ao quarto dia. Aproveite pra ter momentos únicos com a família ou os amigos:

Manhã: faça o passeio de barco no Delta do Tigre, ao norte da Grande Buenos Aires (dá pra ir de trem ou ônibus). O percurso passa pelos canais do delta, com casas sobre palafitas e clube de remo, lembrando um pouco a Holanda. É super agradável e rende fotos incríveis. Um tour guiado com barco costuma custar em torno de R$ 150 a R$ 300.

Tarde: passe algumas horas no Galerías Pacífico, na Calle Florida. Esse prédio elegante, que já foi galeria de arte, hoje é um shopping enorme com lojas diversas — ótimo pra quem quer fazer compras e ver a arquitetura. A Calle Florida e arredores também são boas pra lembrancinhas e roupas.

Galerías Pacífico em Buenos Aires

Noite: feche o dia com uma visita ao extraordinário Teatro Colón, considerado um dos teatros de ópera com melhor acústica do mundo. As visitas guiadas saem a cada 15 minutos e são cheias de histórias dos grandes artistas que passaram por ali. Se encaixar na agenda, assistir a uma ópera ou concerto é uma experiência diferenciada — mas confira os horários e a necessidade de reserva online antes de ir.

Teatro Colón em Buenos Aires

Uma dica de quem já errou: o mapa de Buenos Aires engana. Trajetos entre bairros, tipo Palermo até La Boca, são longos — use metrô (cartão SUBE) ou app de transporte pra conexões maiores, não tente fazer tudo a pé.

Dia 5: de Buenos Aires para Salta

O quinto dia é dedicado à viagem da capital pra Salta. A forma mais viável é de avião (de carro seriam mais de 16 horas). De avião, o trajeto leva cerca de 2 horas — super tranquilo. A maioria dos voos sai do Aeroparque (AEP), mais central, e também há conexões diretas saindo de Guarulhos em alguns dias da semana.

Compre a passagem com antecedência pra conseguir preços melhores. E fica esperto com a franquia de bagagem: voos domésticos argentinos costumam ter franquia menor que voos internacionais, então confira antes pra não pagar excesso na hora.

Se o voo for de manhã, você chega em Salta por volta do almoço. Aí vá ao hotel pra descansar e saia pra jantar num dos restaurantes da cidade. Se o voo chegar de tarde ou à noite, peça algo no hotel mesmo e recupere as energias pra explorar Salta nos dias 6, 7 e 8.

Dia 6 em Salta: centro histórico e Cerro San Bernardo

Manhã: no primeiro dia completo em Salta, dedique a manhã e a tarde a conhecer a famosa Praça 9 de Julho, um dos pontos turísticos mais importantes da cidade, perfeita pra passear e tirar fotos no centro. Pertinho dali estão atrativos que merecem a visita: o Cabildo (arquitetura impecável e rico em história), a Catedral de Salta (igreja do século 19 que guarda as cinzas do General Martín Miguel de Güemes, herói da Independência argentina) e o Museo de Arqueología de Alta Montaña (com tesouros da civilização inca). A Catedral de Salta é considerada uma das mais bonitas da América Latina — imperdível.

Catedral de Salta

Tarde: explore o deslumbrante Parque San Martín, com área verde maravilhosa, lago com animais, pedalinhos e feira de artesanato (que costuma acontecer aos domingos). Bem em frente fica o teleférico que leva os turistas até o Cerro San Bernardo, o mirante mais alto da cidade. Lá de cima dá pra contemplar Salta de uma forma única e tirar muitas fotos.

Parque San Martín em Salta

Noite: se sobrar energia, escolha um dos restaurantes da cidade pra um jantar gostoso. Dois que a gente acha de muita qualidade são o Doña Salta e o Peña la Vieja Estación. Aproveita pra provar a culinária do norte: empanadas salteñas, locro, tamales e humitas são típicos da região.

Dia 7 em Salta: vinícolas e peñas

Manhã e tarde: passe o dia numa das variadas bodegas de Salta. A cidade tem uma rota de vinhos de altitude (a região de Cafayate é famosa), então não vai ser nada fácil escolher entre tantas opções.

Brindando em vinícola de Salta

O mais bacana do enoturismo em Salta é que, além de conhecer a vinícola e a produção dos vinhos, você degusta rótulos deliciosos — muitas vezes acompanhados de aperitivos incríveis. É, definitivamente, uma experiência única.

Pra te ajudar na escolha, separamos 5 bodegas que valem a análise: El Esteco, Colomé, Etchart, Nanni e Domingo Hermanos.

Bodega El Esteco em Salta

Noite: que tal uma noite mais animada? A gente sugere conhecer as peñas, bares onde rolam apresentações de música típica com cantores e bandas locais. Tem desde lugares mais calmos até os mais agitados. A maioria fica na Calle Balcarce, mas a mais famosa e tradicional, a La Casona del Molino, fica na Calle Luis Burela.

Dia 8 em Salta: Tren a las Nubes

Manhã e tarde: pra fechar o roteiro no melhor estilo, encare o Tren a las Nubes (Trem das Nuvens), um trem turístico que faz um percurso de cerca de 200 km pelas montanhas da Cordilheira dos Andes. No caminho ele passa por morros verdes e desertos andinos, com um cenário indescritível. O trajeto parte de Salta (1.200 m de altitude) e termina no Viaduto La Polvorilla, a 4.220 m.

Tren a las Nubes em Salta

Uma curiosidade: o Tren a las Nubes é um dos trens mais altos do mundo, então já vá preparado pra muita emoção (e pra altitude, que pode bater). Ele anda a uns 35 km/h, ideal pra fotografar e apreciar a paisagem. Durante o passeio tem música ambiente, comissários, filmes e restaurante — tudo bem completo e estruturado.

Noite: depois do passeio, termine a viagem num bar gostoso de Salta. O La Birrería Salta é excelente pra quem quer uma cerveja gelada com os amigos. Já o Bar de Fueguitos oferece jogos de tabuleiro, cervejas artesanais, petiscos e um clima bem animado.

Pra emendar Buenos Aires e Salta sem perrengue, ficar bem localizado nas duas cidades faz TODA a diferença — em Buenos Aires você fica perto das atrações sem caminhar demais, e em Salta perto do centro histórico e dos restaurantes. Olha aqui a melhor região pra se hospedar e os hotéis bons e baratos que a gente já testou:

Onde ficamos em Buenos Aires (e 3 hotéis bons e baratos!)

Isso fez toda a diferença em nossas viagens! O bairro Recoleta é o ponto perfeito para se hospedar! Elegante e urbano, ele se assemelha a outros bairros de cidades europeias, como Paris. As ruas são largas e bem arborizadas, além de terem os principais hotéis de Buenos Aires.

Se quiser, é só clicar aqui em mapa, que abrirá esse mapa personalizado que a gente criou, com a melhor região. Quando abrir, feche o mapa, coloque a data da sua viagem, clique em pesquisar e depois em ‘mostrar mapa’ de novo pra ver os hotéis com os preços já naquela região.

Estratégia pra economizar bem com o hotel: a antecedência é o que faz você pagar mais barato, sempre. Nesse site do mapa e nos hotéis abaixo, a maioria tem cancelamento gratuito. Reserve o quanto antes pra garantir um preço bem menor — se precisar cancelar, não paga nada.

HOTEL BEM BARATO: O mais barato que a gente achou e foi ótimo. Faz tudo a pé.

HOTEL MUITO BOM: Um pouco melhor e na mesma região central. Amamos.

HOTEL TOP: Nosso favorito: localização excelente, conforto e charme.

Perguntas frequentes sobre o roteiro de Buenos Aires e Salta

Quantos dias ficar em Buenos Aires e Salta?

Um bom equilíbrio é de 7 a 8 dias: cerca de 4 dias em Buenos Aires e 3 em Salta, mais o dia de deslocamento entre as duas. Dá pra adaptar pro tempo que você tiver, mas com menos de 3 dias em cada uma o roteiro fica corrido.

Como ir de Buenos Aires para Salta?

O melhor jeito é de avião, com voos que partem principalmente do Aeroparque (AEP), mais central. O trajeto leva cerca de 2 horas. De carro seriam mais de 16 horas, então não compensa. Compre a passagem com antecedência pra pegar preços melhores.

Qual a melhor época para fazer esse roteiro?

Outono (março a maio) e primavera (setembro a novembro) são as melhores épocas, com clima ameno nas duas cidades. O verão deixa o norte muito quente e chuvoso, e o inverno traz frio seco em Buenos Aires.

Brasileiro precisa de visto para a Argentina?

Não. Brasileiros entram com RG em bom estado ou passaporte, sem necessidade de visto para turismo de curta duração.

Qual moeda levar para a Argentina?

A moeda local é o peso argentino (ARS). Como o contexto econômico muda rápido, vale checar as opções de câmbio na hora da viagem e considerar levar pesos ou dólares numa conta global, que costuma ser mais prática e econômica.

Vale a pena alugar carro em Buenos Aires?

Em geral não. Buenos Aires é uma cidade walkável, com ótimo transporte público (metrô e ônibus com o cartão SUBE) e apps de transporte. Pra os deslocamentos maiores entre bairros, metrô e táxi resolvem bem.

O que comer em Buenos Aires e Salta?

Em Buenos Aires, aposte nas parrillas (carnes), empanadas e nos vinhos argentinos. Em Salta, prove as empanadas salteñas, o locro, os tamales, as humitas e os vinhos de altitude da região de Cafayate.

Economize ao máximo na sua viagem à Argentina

É isso, galera: com esse roteiro de 8 dias você sai da Buenos Aires cosmopolita e mergulha no norte andino de Salta, fechando uma das combinações mais bacanas da Argentina. A gente faria de novo só pra repetir o contraste entre o tango na capital e o vinho de altitude no meio dos Andes. Boa viagem!