
Se você tá planejando conhecer El Calafate, prepara o coração: essa cidadezinha da Patagônia argentina tem muito mais história, lenda e detalhe curioso do que a gente imagina antes de chegar. Quando a gente foi pela primeira vez, o que mais surpreendeu não foi nem o Perito Moreno em si (que é espetacular), mas todo o universo que existe ao redor dele.
Neste guia, a gente separou 8 curiosidades de El Calafate que vão fazer você aproveitar a viagem de um jeito diferente, entendendo o porquê de cada coisa. Tem lenda indígena, história de fundação, dicas de clima e até o motivo pelo qual todo mundo sai de lá comendo doce roxo.
E não esquece: aqui no nosso guia completo de El Calafate a gente reuniu tudo pra montar a viagem inteira pagando mais barato — hotel, transporte, seguro, comida, chip e ingressos.

1) De onde vem o nome “El Calafate” (e a lenda de quem volta)
Começando pela primeira curiosidade: o nome da cidade vem de um arbusto típico do sul da Patagônia, chamado calafate (nome científico Berberis microphylla). Ele produz umas bagas pequenas, azul-escuro quase pretas, que são comestíveis e viraram matéria-prima de doces, geleias e licores.
E aí entra a parte legal: existe uma lenda patagônica muito famosa que diz que “quem come calafate sempre volta”. A tradição conta que quem prova o fruto se apaixona pelo lugar e não consegue mais ficar longe. A gente comeu, e olha… a gente voltou mesmo. Fica o aviso.
Tem ainda um detalhe histórico curioso: antigamente, a resina do arbusto era usada pra calafetar barcos, quando faltava cânhamo na região. Daí o nome. Povos indígenas como os tehuelches também usavam a fruta pra fermentar bebidas tradicionais e as partes da planta pra fins medicinais.
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2) Um superalimento patagônico que virou souvenir
O calafate não é só bonitinho e cheio de lenda — é considerado um verdadeiro superalimento. Estudos citados por órgãos ambientais indicam que ele tem concentração de antioxidantes até 10 vezes maior que a do mirtilo. Ele também contém berberina, uma substância com efeitos antibacterianos.
Pra quem viaja, isso se traduz em uma coleção enorme de produtos pra levar de lembrança:
- Doces e geleias de calafate em potinhos pequenos, ótimos pra presentear.
- Licor de calafate, presente na carta de praticamente todo bar e restaurante da cidade.
- Chocolates, mousses, sorvetes e tortas com o sabor da fruta.
Faixa de preços costuma girar em torno de valores acessíveis pra doces em pote pequeno e um pouco mais salgados pra garrafas de licor artesanal — vai depender bastante da marca e da loja. Uma dica: prova primeiro num restaurante antes de sair comprando pote grande, porque o sabor é bem particular (lembra amora com um toque adstringente).
3) El Calafate é muito mais do que só o Perito Moreno
Essa aqui é a curiosidade que mais muda o planejamento do brasileiro. A cidade é conhecida como a porta de entrada do Parque Nacional Los Glaciares, que tem cerca de 600 mil hectares de geleiras, montanhas e estepes. O Perito Moreno é o astro, mas está longe de ser a única atração.
Dá pra fazer navegações pelo Lago Argentino passando por outros glaciares gigantes como o Upsala e o Spegazzini, kayak em áreas autorizadas perto de paredes de gelo, trekking em mirantes, passeios 4×4 pela estepe com cenários de cânions e formações rochosas, visita a sítios de arte rupestre e observação de fauna patagônica (guanacos, raposas, condores, flamingos).
A gente errou nessa na primeira vez: reservou 1 dia e meio pra tudo e saiu com aquela sensação de que faltou. Reserve pelo menos 3 dias completos pra combinar glaciar, barco, cidade e estepa.
Pra escolher e comprar os passeios do Parque Nacional Los Glaciares, a gente sempre indica esse site que a gente usa em todas as viagens. É o único que paga em reais (sem IOF), com atendimento em português, cancelamento gratuito na maioria dos tours e ainda tem passeios gratuitos ótimos na cidade.

4) Clima imprevisível: as “4 estações no mesmo dia”
Uma das coisas mais faladas por lá é que em El Calafate é comum ter sol, chuva, neve e muito vento no mesmo dia. Não é exagero, é sério. A gente já saiu de manhã com céu azul e voltou da passarela do Perito Moreno com granizo no rosto.
A regra de ouro é roupa em camadas: uma segunda pele térmica embaixo, um fleece no meio e um corta-vento impermeável por cima. Nunca dependa só de um casaco pesado — se ele molhar, você ficou sem opção.
Sobre a melhor época:
- Primavera e verão (outubro a março): dias mais longos, temperaturas mais amenas (média em torno de 15°C) e mais fluxo de turistas.
- Inverno: temperaturas abaixo de zero, neve, menos gente e experiência mais selvagem — mas com risco maior de cancelamento de passeios por clima.
Tem uma coisa que ninguém conta: o vento patagônico é uma coisa à parte. Ele despenteia, empurra e, se você não respeita, derruba. Leva gorro, luvas, cachecol e óculos de sol (o reflexo do gelo é fortíssimo).
5) Cidade compacta, caminhável e sem Uber
El Calafate é pequenininha. O centro é caminhável, com tudo relativamente perto — restaurantes, agências, lojinhas de souvenir e supermercados ficam todos ali na Avenida Libertador ou nas ruas paralelas.
Agora, atenção pra uma pegadinha: não existe Uber na cidade. Pra se locomover, as opções são:
- Remises, que são os táxis locais, muito usados pra ir ao aeroporto e pra deslocamentos maiores.
- Aluguel de carro, ótimo pra quem quer flexibilidade pra ir ao parque, aos mirantes e passear pela estepe no ritmo próprio.
- Bicicleta alugada, boa opção pra passeios curtos no entorno do Lago Argentino.
Outra dica prática: os pick-ups das excursões começam cedo, muitas vezes entre 7h e 8h da manhã. Confirma horário e ponto de encontro na véspera, dorme cedo e estica um casaco em cima da cadeira do quarto na noite anterior — evita correria de manhã.
Se você tá pensando em alugar carro pra ter liberdade nos passeios, dá uma olhada em esse comparador de carros. Ele compara os preços de todas as principais locadoras e costuma achar valores bem melhores do que ir direto no site da locadora. O pagamento é em reais, dá pra parcelar em até 12x sem IOF, atendimento em português 24h e tem sede no Brasil.
Usa o cupom GRUPODICAS pra ganhar desconto e acessar promoções já aplicadas na tarifa. A gente também sempre pega a proteção RentalCover, que cobre pneus, vidros, perda de chaves e assistência na estrada — itens que ficam de fora do seguro básico das locadoras. Prefira sempre as grandes locadoras (Alamo, Avis, Europcar, Sixt, Hertz) pra evitar dor de cabeça.
Tem também esse outro comparador, que é bom também, mas o pagamento é em dólar ou em pesos — então precisa calcular o IOF e não dá pra parcelar. Vale pesquisar nos dois.
Onde ficamos em El Calafate (e 3 hotéis bons e baratos!)
Isso fez toda a diferença em nossas viagens! O centro da cidade é onde estão os restaurantes, lojas, agências de turismo, bancos e feiras de artesanato. Portanto, se você deseja economizar em seu transporte pela cidade, nós indicamos que opte por se hospedar no centro de El Calafate. A região também abriga acomodações com um custo-benefício muito bom!
Se quiser, é só clicar aqui em mapa, que abrirá esse mapa personalizado que a gente criou, com a melhor região. Quando abrir, feche o mapa, coloque a data da sua viagem, clique em pesquisar e depois em ‘mostrar mapa’ de novo pra ver os hotéis com os preços já naquela região.

Primeira dica pra economizar MUITO com o hotel: a antecedência é o que faz você pagar mais barato, sempre. Nesse site do mapa e nos hotéis abaixo, a maioria tem cancelamento gratuito. Reserve o quanto antes pra garantir um preço bem menor — se precisar cancelar, não paga nada.
Segunda dica, pra economizar AINDA MAIS: esses sites são ótimos, mas o pagamento é na moeda local, então você paga IOF, taxas cambiais e não pode parcelar — e faz tudo por conta própria. Existe uma agência brasileira, especializada em hotéis, que possui o mesmo inventário: mesma hospedagem, muitas vezes com preço melhor, pagando em reais (sem IOF nem taxas cambiais) e parcelando em até 12x. Ainda tem atendimento por WhatsApp com uma consultora especialista nesse destino, que ajuda a escolher o melhor hotel, na melhor localização, pelo menor preço, com todo o suporte, inclusive pós-compra. Dá pra começar o orçamento pelo WhatsApp (selecione o departamento de “Hotéis”) ou pelo site. Temos reservado sempre por lá, e além de economizar, a experiência tem sido ótima!
HOTEL BEM BARATO: O mais barato que a gente achou e foi ótimo. Faz tudo a pé.
HOTEL MUITO BOM: Um pouco melhor e na mesma região central. Amamos.
HOTEL TOP: Nosso favorito: localização excelente, conforto e charme.
6) Comer bem sem estourar o orçamento
El Calafate tem fama de destino caro, e realmente não é o mais barato da Argentina. Mas dá pra comer muito bem sem gastar rios de dinheiro se você souber onde ir. A cidade tem uma mistura ótima de parrillas, cervecerias, casas de massa e bistrôs.
O prato símbolo é o cordero patagônico — cordeiro assado por horas no espeto, com carne desmanchando. Precisa provar pelo menos uma vez. Outro clássico é o guanaco, um camelídeo típico da região, servido geralmente em pratos temperados com frutas e ervas locais.
Dicas pra economizar sem abrir mão do sabor:
- Almoçar no menu do dia (menú ejecutivo), que costuma ter entrada + prato + sobremesa por preço fixo.
- Pedir pratos compartilháveis pra dois — as porções argentinas são generosas.
- Testar cervecerias artesanais no happy hour: hambúrguer bom, cerveja gelada e conta bem menor.
- Não sair sem provar uma sobremesa com calafate (torta, mousse ou sorvete).
Pra escolher os restaurantes certos, dá uma olhada em onde comer em El Calafate, com os lugares que a gente testou e aprovou.

7) Yeti Ice Bar e a vida noturna com estilo próprio
Uma das atrações mais curiosas da cidade é o Yeti Ice Bar, um bar feito inteiramente de gelo. A experiência dura em torno de 25 minutos: você entra vestido com capa térmica, luvas e touca, e passa por um ambiente decorado com esculturas e cores polares, bebendo em copos de gelo. Parece cafona no papel, mas é divertido — e vira uma pausa quentinha (ironicamente) pro fim da tarde.
No geral, a vida noturna de El Calafate é discreta e charmosa. Não espera balada com pista lotada até 5h da manhã. O clima é mais de cerveja artesanal, vinho argentino e música ao vivo em bares menores. Faz total sentido: como os passeios saem cedo, quase todo mundo prefere dormir cedo e curtir uma noite tranquila.
O combo perfeito, na nossa opinião, é: dia de trilha e glaciar + noite de cerveja artesanal com um doce de calafate de sobremesa.
8) História e fundação: a cidade nasceu pelo arbusto
El Calafate foi fundada oficialmente em 7 de dezembro de 1927, como parte dos esforços do governo argentino pra consolidar o povoamento da Patagônia. Fica a cerca de 320 km de Río Gallegos, a capital da província de Santa Cruz.
A presença abundante do arbusto calafate nos arredores foi o que batizou o lugar — no começo, a região era conhecida simplesmente como “mata grande”, e depois virou El Calafate. Curioso pensar que uma fruta pequenininha deu nome a uma das cidades mais visitadas da América do Sul.
Outra curiosidade histórico-geográfica: o Parque Nacional Los Glaciares, do qual El Calafate é a base, faz parte do Campo de Gelo Patagônico Sul — a terceira maior reserva de água doce em forma de gelo do mundo, atrás só da Antártica e da Groenlândia. E fica bem pertinho do Parque Nacional Torres del Paine, do lado chileno, o que permite combinar as duas experiências numa mesma viagem.

Erros comuns que a gente vê brasileiros cometendo
- Roupa inadequada: ir com aquele casaco pesado único de “inverno de São Paulo” e nada térmico por baixo. Camadas, camadas, camadas.
- Pouco tempo na cidade: 1 dia só pra “ver o Perito Moreno e ir embora”. Perde-se navegação, estepe e arte rupestre.
- Contar com Uber: não existe. Programe remises, transfers ou aluguel de carro.
- Não confirmar o horário de pick-up: os passeios saem cedo, e chegar atrasado significa perder o dia inteiro.
- Achar que “El Calafate é só glaciar”: a cidade tem gastronomia rica, história e passeios variados que rendem 3 a 4 dias tranquilos.
Se você quer ver o cenário mais completo da região, dá uma passada também no passeio de barco pelo Lago Argentino, um dos mais surreais que a gente já fez.
Seguro viagem pra Argentina
O atendimento médico fora do Brasil pode sair caro, e na Patagônia — onde as estruturas são menores — vale ainda mais a pena estar coberto. Um resgate na estepe ou um problema respiratório por causa do frio já paga o seguro várias vezes.
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Chip de celular na Argentina
Pra usar o celular sem se preocupar com roaming absurdo, o ideal é já sair do Brasil com um chip internacional. A gente usa esse chip de viagem, que chega em casa antes da viagem, é fácil de ativar e funciona assim que você pousa. Pagamento em reais, sem IOF e com suporte em português.
Perguntas frequentes sobre El Calafate
Qual a origem do nome El Calafate?
O nome vem do arbusto calafate (Berberis microphylla), típico da região, que produz uma baga azul-escuro comestível. Havia muitos desses arbustos onde a cidade foi fundada, e o nome pegou.
É verdade que quem come calafate volta?
É uma lenda patagônica muito difundida: quem prova o fruto se apaixona pela região e sempre retorna. Vira uma tradição entre turistas provar doces, licores e sobremesas de calafate justamente por causa disso.
Quantos dias ficar em El Calafate?
O ideal são pelo menos 3 dias completos, pra conseguir combinar o Perito Moreno, uma navegação pelo Lago Argentino (com Upsala e Spegazzini) e um passeio pela estepe ou pela cidade. Quem tem mais tempo consegue esticar pra 4 ou 5 dias sem enjoar.
Qual a melhor época pra visitar El Calafate?
Primavera e verão (outubro a março) são as melhores épocas: dias mais longos, temperaturas mais amenas e menor risco de cancelamento de passeios. O inverno é mais rigoroso, mas oferece experiência mais selvagem, com neve e movimento reduzido.
Tem Uber em El Calafate?
Não. A locomoção é feita por remises (táxis locais), aluguel de carro, bicicleta ou transfers de agência. Vale programar isso antes de chegar, principalmente pro trajeto aeroporto-hotel.
O que comer em El Calafate?
Os pratos típicos incluem o cordero patagônico (cordeiro assado no espeto), a carne de guanaco temperada com frutas locais, empanadas e sobremesas com calafate. Cervecerias artesanais também são ótimas opções mais em conta.
Precisa de seguro viagem pra ir a El Calafate?
Não é obrigatório por lei entrar na Argentina com seguro, mas é altamente recomendado. Atendimento médico particular na Patagônia pode ser caro, e imprevistos com passeios ao ar livre acontecem. Vale muito a pena estar coberto.
El Calafate é caro?
É um destino relativamente mais caro que outras cidades argentinas por causa do turismo intenso, mas dá pra economizar escolhendo bem restaurantes (menu do dia e cervecerias), comprando passeios com antecedência em plataformas que pagam em reais e evitando a alta temporada de pico.
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El Calafate é um daqueles lugares que a gente sai contando pra todo mundo. Tem a beleza absurda dos glaciares, mas tem também o charme de cidadezinha, a comida farta, as lendas, a fruta roxa em tudo quanto é lugar e aquela sensação de estar num pedaço do mundo que parece intocado. Se der, come um doce de calafate na despedida — só pra garantir a volta.